Qual foi o efeito dos primeiros dias da propaganda eleitoral sobre a sucessão mineira?
Diferentemente da eleição em 2024 para a Prefeitura de Belo Horizonte, os primeiros nove dias da propaganda eleitoral influenciaram pouco o desempenho dos candidatos ao governo de Minas

Duas pesquisas de intenção de voto na sucessão mineira, realizadas antes e depois do início da propaganda eleitoral gratuita — entre os dias 21 a 24 de agosto e entre 4 e 7 de setembro —, indicam que, diferentemente da eleição em 2024 para a Prefeitura de Belo Horizonte, os primeiros dias da propaganda eleitoral, iniciada em 28 de agosto, influenciaram pouco o desempenho dos candidatos ao governo de Minas.
Com 12% do tempo de propaganda, - quarto maior tempo - o senador Cleitinho (Republicanos) seguiu à frente da disputa, oscilando de 29% para 32%, dentro da margem de erro. Cleitinho está 21 pontos percentuais à frente da segunda posição, onde estão o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) com 11% cada. Patrus tem 21% do tempo de propaganda, o segundo maior; Kalil, 8%. Com a maior coligação e o maior tempo de antena – a fatia é de 31% da distribuição –, o governador Mateus Simões (PSD) oscilou positivamente apenas um ponto, de 7% para 8%: segue três abaixo de Patrus e Kalil.
Flávio Roscoe (PL), que dispõe de 19% da fatia da propaganda e possui a terceira maior fatia da propaganda, manteve-se com 3% das preferências em empate técnico com Gabriel Azevedo (MDB), que conta com apenas 9% do horário de antena. Na intenção de voto estimulada, que apresenta ao eleitor os nomes dos candidatos, 17% seguem indecisos. A proporção de indecisos salta para 73% na pergunta espontânea de intenção de voto ao governo de Minas, quando não são informados ao eleitor os nomes de quem concorre. Esse é um indicador de desatenção à corrida: o eleitor comum, que não é militante, está menos mobilizado na disputa ao governo do estado.
Na corrida para o Senado, Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB) lideram, respectivamente, com 13% e 10% das intenções de voto. Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) têm, respectivamente, 8% e 6% das intenções de voto. Marcelo Aro (PP) tem 4%, Áurea Carolina 2%, e os demais candidatos 1% ou não pontuam. Para o Senado, 29% estão indecisos e 21% manifestam intenção de votar em branco ou nulo. A disputa ao Senado segue aberta, com terço do eleitorado ainda indeciso e um quinto propenso ao voto nulo. Assim como na eleição ao governo de Minas, em que três em cada quatro mineiros não têm o nome de seu candidato na ponta da língua.
Diferentemente da sucessão mineira, contudo, a disputa presidencial em Minas Gerais – estado síntese que costuma refletir as estimativas de todo o país – registrou entre as duas pesquisas movimentações, sobretudo porque, pela primeira vez, a Quaest captou em Minas o desempenho do escritor Augusto Cury (Avante). Na simulação de primeiro turno da sucessão presidencial, Lula (PT) oscilou de 30% para 31%; Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 27%. Cury cresceu de 1% para 8% entre as suas pesquisas. Romeu Zema (Novo) oscilou de 7% para 6%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) mantiveram-se, nessa ordem, com 3% e 2% das intenções de voto.
Declararam-se indecisos 17%. Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, pela primeira vez Flávio Bolsonaro surge numericamente à frente de Lula, respectivamente 40% e 37% das intenções de voto, diferença que está dentro da margem de erro, portanto, ambos seguem em situação de empate técnico. Ao que tudo indica, Cury cresceu na simulação de primeiro turno, sobretudo com intenções de voto que migraram de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, parte do eleitorado que deixou Flávio para apostar em Cury se inclinou ao retorno no cenário subsequente.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


