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Lula replica críticas ao papel da ONU e repete apelo por criação de Estado Palestino

Presidente classificou reação de Israel ao ataque do Hamas, em outubro, como desproporcional, e pediu imediata libertação dos reféns

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Lula cumpre agenda internacional desde quarta-feira (14); neste sábado (17), ele participa da Cúpula da União Africana, na Etiópia • Ricardo Stuckert | PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a Cúpula da União Africana neste sábado (17) replicando críticas dirigidas à Organização das Nações Unidas (ONU) e feitas por ele em discurso na Liga dos Estados Árabes, no Egito, na última quinta-feira (15). Ao longo de pouco mais de 15 minutos, o petista refutou a ofensiva das tropas israelenses neste quarto mês de guerra contra o Hamas e tornou a defender que a única solução definitiva para o conflito histórico é a criação de um Estado Palestino com cadeira nas Nações Unidas. “A solução para essa crise só será duradoura se avançarmos rapidamente na criação de um Estado Palestino livre e soberano, que seja reconhecido como membro pleno das Nações Unidas, de uma ONU fortalecida”, afirmou condenando os ataques do Hamas, pedindo a libertação dos civis israelenses e criticando o que classificou como resposta desproporcional do país de Benjamin Netanyahu.

O brasileiro também apelou pela extinção do poder de veto no Conselho de Segurança e pela inclusão de membros permanentes da África e da América Latina no grupo. Lula citou a guerra na Ucrânia como exemplo da ineficácia do trabalho da ONU. “Há dois anos, a guerra na Ucrânia escancara a paralisia do Conselho de Segurança. Além da trágica perda de vidas, suas consequências são sentidas em todo o mundo no preço dos alimentos e de fertilizantes. Não haverá solução militar para esse conflito”, declarou o petista.

As declarações do petista na cúpula na Etiópia repetem também o que foi dito por ele em rápida ida a Cabo Verde, no primeiro ano deste mandato. O presidente citou novamente uma dívida histórica do Brasil com os países africanos pelos três séculos de escravidão e garantiu que retribuirá com o compartilhamento de conhecimento científico e experiência em políticas públicas. “O Brasil não tem tudo que a gente pensa que tem. O Brasil não tem todo dinheiro que eu gostaria que tivesse ou todo o conhecimento científico e tecnológico que eu gostaria que tivesse. O Brasil não tem a força que eu gostaria que tivesse. Mas, tudo, muito ou pouco que o Brasil tem, eu quero compartilhar com os países africanos, porque temos uma dívida histórica, e a única forma de pagar é com solidariedade e amor”, afirmou Lula.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.