Lewandowski cita 'valores cristãos' para justificar veto parcial de Lula à proibição das saidinhas
Ministro da Justiça é confrontado por deputados na Comissão de Segurança nesta terça-feira (16); Lewandowski manifestou apoio ao veto de Lula à proposta do Congresso

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, recorreu ao catolicismo para justificar o veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à proposta de lei aprovada pelo Congresso Nacional que põe fim às saídas temporárias de presos encarcerados no país.
“O presidente entendeu, com o apoio do parecer do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União, que esse incisivo contrariava os princípios fundamentais da Constituição”, declarou, citando o trecho da proposta que proíbe a saída de presos para visitar a família em datas comemorativas. “Esse incisivo confronta os princípios da dignidade humana e da individualização da pena e ainda contraria frontalmente o artigo 226 da Constituição Federal, que obriga o Estado a defender a família”, acrescentou.
“Afinal de contas, o presidente da República é um cristão. É um católico cristão. E a família é um dos valores fundamentais ao cristianismo. Portanto, o presidente da República sancionou praticamente na íntegra o Projeto de Lei [PL] do Congresso Nacional, com exceção do trecho que proíbe as visitas à família”, concluiu.
[read_too_auto query_format="category" posts_limit="3" posts_origin="politica" title="Leia também"][/read_too_auto]O veto parcial do petista à lei das saidinhas suscitou críticas diretas da oposição ao presidente, e a perspectiva é que os parlamentares articulem a derrubada da posição de Lula durante sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ainda não é certo se o assunto já será pautado no próximo encontro, marcado para 24 de abril.
A matéria aprovada pelo Congresso Nacional e remetida para a sanção do presidente Lula põe fim às saídas temporárias em datas comemorativas. O petista, entretanto, acatou o trecho que proíbe o benefício para os condenados por crimes hediondos ou cometidos com violência, ou grave ameaça. Por outro lado, o presidente decidiu manter as visitas para os demais presos do regime semiaberto. O governo e as entidades ligadas aos direitos da população carcerária argumentam que as visitas são mecanismos imprescindíveis para ressocialização.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
