Oposição estuda alternativas para mudar PEC do fim da escala 6x1 no Senado
Texto aprovado pela Câmara prevê redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte de salários

A oposição no Senado articula novas estratégias para alterar a PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados. A proposta ainda aguarda definição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre sua tramitação na Casa.
Sem um plano fechado, os parlamentares oposicionistas aguardam um posicionamento da presidência do Senado para decidir como atuar, seja para retardar a votação ou negociar mudanças no texto.
A principal aposta inicial foi a apresentação de uma PEC alternativa, que prevê um regime de remuneração por hora trabalhada. A intenção era vincular essa proposta à PEC do fim da escala 6x1, movimento que governistas classificaram como uma tentativa de inviabilizar o texto original. No entanto, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), já indicou que a proposta alternativa não deve avançar com prioridade.
Diante desse cenário, a oposição passou a considerar um “plano B”, baseado na apresentação de emendas à proposta aprovada pela Câmara. Entre os pontos defendidos está a criação de mecanismos de compensação financeira para empresas, reivindicação de representantes do setor produtivo que alegam possíveis impactos econômicos com a redução da jornada de trabalho.
Outra frente em discussão é a ampliação do período de transição previsto na PEC. Atualmente, o texto estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas em duas etapas, ao longo de 14 meses, sem redução salarial. Empresários consideram esse prazo insuficiente e têm pressionado senadores para que a adaptação ocorra de forma mais gradual.
Há ainda a possibilidade de apresentação de uma emenda para retirar a regra de transição prevista no texto, estratégia que, segundo interlocutores, teria como objetivo pressionar o governo a defender o acordo firmado na Câmara.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) também estuda propor uma emenda específica para criar uma escala de quatro dias de trabalho e três de descanso para profissionais das áreas de segurança pública e saúde.
Nos bastidores, a avaliação é que o foco da oposição no Senado será ampliar o espaço de negociação com os setores econômicos e tentar adiar a análise da proposta.
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