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Fim da escala 6x1 entra na reta final com impasse entre governo e Câmara

Relatório deve ser apresentado nesta semana em meio a disputa sobre prazo de transição para 40 horas semanais

Por, Brasília
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (esq.), e da República, Lula (dir.)
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (esq.), e da República, Lula (dir.) • Ricardo Stuckert/PR

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 entra nesta semana na fase final de negociações no Congresso, em meio a divergências entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a cúpula da Câmara e parlamentares ligados ao setor empresarial sobre o ritmo de transição para a nova jornada de trabalho. A expectativa é que o relatório final da proposta seja apresentada na próxima segunda-feira (25).

O principal impasse envolve o prazo para redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas. Enquanto o Palácio do Planalto defende uma transição mais curta e sem redução salarial, setores da oposição e representantes do empresariado articulam mudanças para ampliar o período de adaptação das empresas.

Uma das emendas apresentadas pela oposição prevê um escalonamento gradual da jornada, com redução de uma hora por ano ao longo de quatro anos, até atingir as 40 horas semanais.

Já setores produtivos e deputados ligados ao empresariado defendem uma transição ainda mais longa, de até dez anos. A proposta chegou a constar em duas emendas apresentadas ao texto, mas uma delas foi retirada após repercussão negativa entre partidos do centrão e oposição.

 

Nos bastidores, o relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), descarta uma adaptação tão extensa e negocia um meio-termo entre dois e cinco anos. A definição depende de acordo entre o governo e o presidente da Câmara, Hugo Motta, que conduz pessoalmente as tratativas sobre o texto.

Lula e Motta vão afinar o texto

Lula confirmou que se reunirá com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na próxima segunda-feira (25), em um encontro voltado justamente à tentativa de destravar os últimos pontos de conflito da proposta.

Com a apresentação do relatório final na segunda, a expectativa é que o texto seja votado ainda nesta semana, no Plenário.

A proposta altera o atual regime de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso e cria as bases para adoção gradual da escala 5x2. O texto ainda precisa passar pelo aval do Senado antes de seguir para sanção presidencial.

A pauta se tornou uma das prioridades políticas do governo em 2026 e ganhou força após pressão de centrais sindicais e movimentos trabalhistas, como o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defendem a ampliação dos períodos de descanso.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio