Deputado tenta emplacar projeto que retira gastos com mudanças climáticas da meta fiscal
Proposta é vista como caminho para ampliar o orçamento do ministério do Meio Ambiente, gerido por Marina Silva

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) defende a retirada, da meta fiscal do governo federal, de gastos com o combate aos efeitos das mudanças climáticas. O parlamentar apresentou um projeto de lei sobre o tema. A ideia é ampliar o orçamento do ministério do Meio Ambiente, chefiado por Marina Silva (Rede).
Na lista de exceções, estão os desembolsos a reboque da reconstrução do Rio Grande do Sul, atingido por fortes chuvas entre o fim de abril e este mês. Na justificativa da proposta, Lindbergh cita as enchentes em solo gaúcho como “tendência global”.
De acordo com Marina, isso permitiria que os municípios pudessem estabelecer planos de prevenção a eventos climáticos extremos.
"Estamos pensando em decretar emergência climática nesses municípios para contar com orçamento constante, para que não fique nessa excepcionalidade do déficit zero. A gente não vai poder dizer que não existe esse problema e o poder público vai ter que enfrentar", disse a ministra, à ocasião. "Acima do déficit zero, o nosso máximo compromisso é com a vida e a dignidade das pessoas", completou.
Orçamento de Marina na pauta do Congresso
A despeito do projeto de Lindbergh, que tornaria o orçamento da pasta de Marina mais robusto, o Ministério do Meio Ambiente pode perder autonomia sob parte de um montante de mais de R$ 10 bilhões.
O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima estará no Congresso na próxima semana, com votação prevista para a próxima terça-feira, 21, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Além de decidir quais ações de governo poderão ser contempladas com os recursos, os parlamentares devem decidir quem coordenará os gastos.
A pasta de Meio Ambiente é contrária a uma proposta que fortaleceria a participação do Ministério do Desenvolvimento Regional na articulação desses valores.
Segundo parecer do Ministério do Meio Ambiente, a pasta de Desenvolvimento Regional já está contemplada com outras fontes de recursos no orçamento da União. "O Orçamento Federal já tem ações orçamentárias específicas para medidas de atendimento emergencial, de prevenção de riscos de desastres e de reconstrução pós-desastres em Estados e municípios, executados principalmente pelo MIDR", argumenta o ministério chefiado por Marina.
Não é a primeira vez que o orçamento sob o comando de Marina Silva é visado por projetos de parlamentares. No ano passado, o Congresso retirou do Ministério do Meio Ambiente a gestão dos recursos hídricos, durante a votação da Medida Provisória (MP) de reestruturação dos ministérios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou esse trecho na lei e devolveu a prerrogativa à pasta.
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