Deputada aciona MP e pede investigação sobre carros de luxo alugados pelo governo Zema

O contrato, conforme noticiado pela Itatiaia na semana passada, estipula pagamento de pouco mais de R$ 3 milhões em 36 meses para o aluguel de quatro veículos blindados e dois comuns, todos do modelo Jeep Commander, com quatro portas e sete lugares

A deputada Dandara (PT-MG)

A deputada federal Dandara (PT) encaminhou um ofício ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo uma investigação acerca do contrato, firmado pelo governo do estado com a empresa paulista CS BRASIL FROTAS S/A, que prevê aluguel de veículos de luxo para a segurança do governador, do vice-governador, e outras autoridades brasileiras e do exterior em missões oficiais.

O contrato, conforme noticiado pela Itatiaia na semana passada, estipula pagamento de pouco mais de R$ 3 milhões em 36 meses para o aluguel de quatro veículos blindados e dois comuns, todos do modelo Jeep Commander, com quatro portas e sete lugares.

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Dandara cita no documento um decreto de Zema, do ano passado, que ampliou os gastos com segurança de ex-governadores e ex-vice-governadores, estendendo o prazo do benefício e admitindo a inclusão de familiares e pessoas com vínculo direto com os ex-chefes do Executivo, desde que haja justificativa com base no interesse público. Dentre os objetivos da ação, está averiguar se os veículos contratados estão dentro do escopo deste decreto.

“Essa ação não nos surpreende diante do histórico de Zema de ter aumentado em 300% o próprio salário. É preciso que o MPMG e o TCE-MG analisem a motivação do contrato de aluguel dos veículos e a extensão aos familiares pois parece que ele está fazendo luxo com dinheiro público. É inadmissível que diante da grave crise fiscal que passa Minas Gerais, o governador amplie gastos em benefício próprio sem mostrar a real necessidade disso. Ele quer seguranças para ele e os familiares pelos próximos 4 anos”, afirma Dandara.

O documento aponta ainda que “se confirmada a inadequação desses atos, a mensagem transmitida à sociedade é extremamente grave: o povo suporta o peso da crise, enquanto a estrutura de conforto, blindagem e proteção da alta cúpula do poder permanece preservada e até ampliada”.

“Impõe-se averiguar, dentre outros aspectos, a motivação concreta, necessidade real, adequação, proporcionalidade e economicidade da contratação de veículos de luxo blindados, no montante aproximado de R$ 3 milhões, em cenário de extrema restrição fiscal do estado”, completa o texto encaminhado ao MPMG.

O governo do estado informou, em nota, por meio da Advocacia-Geral do Estado (AGE), que “em respeito à independência das instituições”, não se manifesta sobre trâmites judiciais. Se for intimada, a AGE vai se manifestar nos autos do processo.

Governo defende que contrato é regular

Em nota, o governo de Minas informa que “é regular o emprego de veículos blindados em suas operações de segurança governamental e que, anteriormente, já utilizava automóvel com essa configuração”.

“Em dezembro de 2025, foi atualizada a contratação da frota por meio de contrato de locação, sem aquisição de veículos, a partir da substituição de unidades anteriormente utilizadas. O contrato prevê o aluguel de veículos blindados para apoio às atividades operacionais de segurança”, pontua.

Sem citar o aluguel dos demais veículos, o governo ainda afirma que “a contratação estabelece valor mensal de R$ 61.418,80 para a locação das unidades blindadas e vigência até 30 de dezembro de 2028. Caso a operação se mantenha pelo período total de 36 meses, o valor final aplicado poderá atingir R$ 2,2 milhões ao término do contrato”. No total, com os seis veículos contratados, o valor mensal é de R$ 85.200,02.

“O GMG destaca que a atividade de segurança governamental é essencial para garantir a ordem pública e o pleno exercício da democracia, exigindo estrutura operacional adequada e recursos logísticos compatíveis com a natureza da missão. Nesse contexto, veículos blindados são utilizados como ferramenta de proteção e prevenção, oferecendo maior segurança nas operações e em eventuais situações de risco, como ataques ou emboscadas”, conclui o texto.

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

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