Caso Master passa batido em convenção do PT que lança Jaques Wagner ao Senado
Senador e aliados evitaram o tema espinhoso em evento com Lula; petista preferiu atacar Flávio Bolsonaro por relação com Trump e o tarifaço

Enrolado nas investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) atacou neste sábado (1º) o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas evitou mencionar o caso que atinge sua candidatura ao Senado e começa a produzir desgaste também na corrida presidencial.
O silêncio não ficou restrito a Wagner. Outros petistas e aliados que discursaram na convenção estadual do PT, em Salvador, também passaram ao largo do Master, tema espinhoso para o grupo que governa a Bahia há quase duas décadas e cujo impacto é acompanhado com preocupação diante da tentativa de reeleição do presidente Lula (PT).
O evento oficializou Wagner e Rui Costa (PT) na disputa pelas duas vagas da Bahia no Senado e lançou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) à reeleição. Lula também participou da convenção.
Durante seu discurso, Wagner direcionou sua artilharia a Flávio Bolsonaro, explorando outra vulnerabilidade do adversário além do envolvimento com o escândalo do Master: a relação do bolsonarismo com os Estados Unidos e as tarifas impostas ao Brasil pelo governo Donald Trump.
"O adversário dele [Lula], filho do ex-presidente, que não botou um prego aqui na Bahia, tem a petulância de ir para o estrangeiro falar mal do nosso país e pedir para os gringos punirem o Brasil", afirmou.
O senador chamou Flávio de "traidor da pátria" e disse que o Brasil estaria sendo punido, entre outros motivos, pelo sucesso do Pix e pela insatisfação de empresas de cartões de crédito.
A escolha do terreno para o confronto chama atenção porque o Master oferece munição contra o próprio Flávio. O candidato do PL passou a enfrentar questionamentos após vir à tona um pedido de recursos feito a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse".
Wagner, no entanto, teria pouco espaço para explorar o episódio sem trazer para o centro da campanha as suspeitas que pesam contra ele próprio.
Master vira flanco eleitoral
A pressão sobre o petista aumentou nesta semana, depois que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou o sigilo de documentos da investigação.
Relatório da Polícia Federal aponta indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas de Augusto Lima e Daniel Vorcaro, diretamente ou por meio de familiares, em aparente relação com sua atuação parlamentar em pautas de interesse do antigo Banco Master. A PF classifica os elementos reunidos até agora como preliminares e indiciários.
Wagner foi alvo de busca e apreensão em 18 de junho e deixou a liderança do governo no Senado seis dias depois. Ele foi intimado a prestar depoimento à PF na próxima sexta-feira (7).
O senador afirma estar "tranquilo" e ter "certeza de que vai provar sua inocência". Sua defesa recorreu ao Supremo para tentar anular medidas da investigação.
O cuidado dos discursos na convenção mostra o tamanho do dilema para o PT baiano. Wagner continua sendo um dos principais cabos eleitorais de Lula no estado, integra a chapa majoritária e é um dos responsáveis pela construção do ciclo de quase duas décadas do partido no poder na Bahia.
Ao passar ao largo do Master, o PT tenta evitar que um problema inicialmente concentrado na candidatura de Wagner contamine o restante da chapa e ganhe dimensão nacional. Para a oposição, porém, a presença do senador no palanque de Lula abre caminho para levar o caso à campanha presidencial.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



