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Flávio pediu R$ 134 mi a Vorcaro para filme de Bolsonaro, diz site

Reportagem revela áudio enviado a Vorcaro e mensagens supostamente trocadas um dia antes da prisão do ex-banqueiro; senador relatou dificuldades na produção do longa 'Dark Horse'

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Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) • Andressa Anholete/Agência Senado.

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negociou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro segundo reportagem divulgada nesta quarta-feira (13) pelo "Intercept Brasil".

A reportagem afirma ter tido acesso a áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários ligados à negociação entre os envolvidos. Os recursos seriam destinados à produção do longa “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.

A Rádio Itatiaia entrou em contato com Flávio Bolsonaro e seus representantes, além da defesa de Daniel Vorcaro, mas ainda não obteve retorno.

Áudio
Em uma mensagem de áudio enviada por Flávio a Vorcaro, o senador relata que está passando por momentos de dificuldade para conseguir arcar com os custos da produção. O longa é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel.

“Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque está num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, declarou Flávio a Vorcaro.

Em seguida, Flávio cobra Vorcaro para dar continuidade aos pagamentos e diz que está correndo o risco de “não honrar compromissos”.

“Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque eu já tenho muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar. Não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Pode me dar um toque aí, irmão”, completou.

Veja transcrição do áudio

“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não... Não sei se você sabe exatamente como é que vai caminhar isso tudo".

E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né? Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vim com esse filme, pode ser o efeito elevado a menos um aí, cara.

Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão.

Desculpa o áudio longo. Um abração. Fica com Deus, cara."

Mensagens
Nas mensagem reveladas pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro trata Vorcaro como irmão. Flávio Bolsonaro também aparece combinano encontros e diz que “não há meia conversa entre eles”.

Veja transcrição dos diálogos

15 DE NOVEMBRO DE 2025
Daniel Vorcaro
“Fala irmao
Tava trânsito voo o tem”
15:46

Flavio Bolsonaro
“Fala mermao
Pode atender?”
15:47

16 DE NOVEMBRO DE 2025
Daniel Vorcaro
“Fala irmaozao ro na igreja
terminando te chamo”
10:37

Flavio Bolsonaro
“[Imagem de Visualização Única]”
15:38
“[Imagem de Visualização Única]”
15:43

“Irmão, estou e estarei contigo sempre,
não tem meia conversa entre a gente.
Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
15:46

Daniel Vorcaro
“[Imagem de Visualização Única]”
15:52

Flavio Bolsonaro
“Amém!”
15:53

No dia seguinte à mensagem de Flávio, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, tentando embarcar para Dubai. Em 18 de novembro de 2025, dois dias depois do áudio enviado a Vorcaro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Outro lado

A Rádio Itatiaia entrou em contato com Flávio Bolsonaro e com aliados do senador, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.

Em entrevista a jornalistas mais cedo nesta quarta, na porta do Supremo Tribunal Federal (STF), após encontro com o ministro Edson Fachin, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre os repasses e negou as acusações.

“É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aí não dá. Obrigado, jornalistas. Bom trabalho. Militante, saia... é dinheiro privado, é dinheiro privado”, declarou e saiu em direção ao carro.

Veja a nota de Flávio Bolsonaro na íntegra

"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ."

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