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PF aponta mesmo modelo de compra de imóveis em casos de Jaques Wagner e ex-BRB

Relatório enviado ao STF afirma que negociações envolveram fundos, empresas e terceiros para estruturar as operações

PorBrasília
PF vê esquema semelhante ao de ex-presidente do BRB em caso de Jaques Wagner.
PF vê esquema semelhante ao de ex-presidente do BRB em caso de Jaques Wagner. • Reprodução

A Polícia Federal afirma que a compra do apartamento que, segundo a investigação, beneficiou o senador Jaques Wagner (PT-BA) seguiu um modelo semelhante ao de uma negociação imobiliária envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

A conclusão consta de documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de pagamento de vantagens indevidas ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O sigílo foi levantado pelo ministro André Mendonça.

Segundo os investigadores, a forma como o imóvel atribuído ao parlamentar foi negociado apresenta "substantiva semelhança operacional" com as operações analisadas em outra frente da investigação. A Polícia Federal afirma que, em ambos os casos, a aquisição dos imóveis teria sido estruturada por meio de fundos de investimento, empresas interpostas e pessoas jurídicas controladas por terceiros, mecanismo que, segundo a corporação, serviria para ocultar o verdadeiro beneficiário da operação.

No caso de Jaques Wagner, a investigação aponta indícios de que um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões teria sido negociado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, em benefício do senador. Para a PF, a operação reproduz o mesmo padrão identificado em outros negócios imobiliários investigados no inquérito.

Além da negociação do imóvel, a Polícia Federal cita outros elementos que, segundo os investigadores, reforçam a proximidade entre Jaques Wagner e o grupo ligado ao Banco Master. Os relatórios mencionam o uso de aeronaves, o recebimento de ingressos para shows, dezenas de ligações telefônicas, encontros presenciais e interlocução frequente entre o senador e Augusto Ferreira Lima sobre temas de interesse da instituição financeira.

Outro trecho da investigação cita o empresário Valério Marega Júnior, apontado como operador financeiro ligado a fundos de investimento e empresas relacionadas ao Banco Master. Segundo a PF, após Jaques Wagner encaminhar a Augusto Ferreira Lima informações sobre o apartamento — incluindo dados do corretor, da unidade e do valor do imóvel —, o ex-sócio do banco teria repassado essas informações a Valério para estruturar a operação.

De acordo com a representação da Polícia Federal, Valério participou da aquisição do apartamento nº 1.702 do condomínio Poème Horto, em Salvador. A corporação afirma que a compra teria sido estruturada por meio de fundos de investimento, empresas interpostas e, posteriormente, formalizada em nome de uma pessoa jurídica controlada por terceiros. Foi justamente esse modelo que levou os investigadores a apontar semelhanças com a operação imobiliária anteriormente identificada em favor de Paulo Henrique Costa.

As apurações também indicam que Jaques Wagner teria atuado em discussões legislativas relacionadas ao Banco Master. Em um dos episódios citados pela PF, o senador aparece debatendo com Augusto Ferreira Lima temas como a ampliação do crédito consignado, alterações relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a possível aquisição do Banco Master pelo BRB. Os investigadores consideram essas interlocuções um dos indícios da suposta atuação em favor dos interesses do grupo.

A decisão do ministro André Mendonça autorizou novas diligências, como o acesso a registros telefônicos e dados de geolocalização de parte dos investigados. O magistrado ressaltou, porém, que a medida não representa juízo de culpa e se destina apenas ao aprofundamento das investigações.

A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. O senador afirma que nunca atuou para favorecer o Banco Master, diz que sua relação com Daniel Vorcaro foi "praticamente zero" e sustenta que o apartamento citado pela investigação nunca integrou seu patrimônio. Também afirma estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e diz confiar no andamento das investigações.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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