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Bolsonaro pode voltar à prisão? Alexandre de Moraes toma decisão nesta quarta-feira (24)

Ex-presidente completa nesta quarta-feira (24) 90 dias de prisão domiciliar em Brasília, concedida após uma internação

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O ex-presidente Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro • Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa nesta quarta-feira (24) 90 dias de prisão domiciliar humanitária em Brasília. A medida foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma internação por broncopneumonia. A expectativa é que Moraes decida se mantém a prisão domiciliar humanitária, se impõe novas restrições ou se determina o retorno de Bolsonaro ao sistema prisional.

Um dia antes de o prazo chegar ao fim, na terça (23), a defesa de Bolsonaro pediu ao STF que prorrogue a prisão domiciliar do ex-presidente, alegando que ele "permanece demandando acompanhamento especializado e avaliação médica contínua".

Ao longo do período em regime domiciliar, Bolsonaro passou por nova cirurgia, manteve acompanhamento médico e recebeu visitas autorizadas de familiares, advogados e profissionais de saúde.

Na reta final do prazo, o STF passou a examinar a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente, episódio que pode influenciar a decisão de Moraes sobre a prorrogação do regime.

A contagem do prazo começou em 27 de março, data em que o ex-presidente recebeu alta hospitalar e retornou para casa, no condomínio Solar de Brasília, localizado no Jardim Botânico. Antes disso, Bolsonaro estava preso em uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A principal justificativa para a concessão da domiciliar foi o estado de saúde do ex-presidente. Durante os três meses em casa, Bolsonaro continuou sob monitoramento médico e chegou a passar por um novo procedimento cirúrgico.

Em 1º de maio, ele foi submetido a uma cirurgia de reparo no manguito rotador do ombro direito, no Hospital DF Star, em Brasília. O procedimento foi autorizado por Moraes e realizado para tratar dores crônicas e lesões decorrentes de uma queda. Após alguns dias de internação, Bolsonaro recebeu alta e iniciou sessões de fisioterapia e reabilitação em casa.

Além disso, a defesa pediu ao STF autorização para uma nova bateria de exames. Os médicos afirmam que os procedimentos são necessários para acompanhar a recuperação da pneumonia broncoaspirativa e investigar problemas gastrointestinais, como refluxo, gastrite e esofagite.

Segundo relatórios enviados ao Supremo, Bolsonaro apresentou uma piora nos episódios de soluço durante a domiciliar. De acordo com a equipe médica, a frequência e a intensidade das crises exigiram “doses elevadas das medicações específicas e rigorosa dieta com baixo teor de acidez”.

Os médicos relatam ainda que o ex-presidente permanece estável do ponto de vista cardiológico, mas continua apresentando queixas de fadiga, cansaço em esforços de média intensidade e oscilações de equilíbrio.

Entre as medidas impostas por Moraes na domiciliar estão o uso de tornozeleira eletrônica, fiscalização da área externa da casa, vistoria dos veículos que deixam o local e proibição de manifestações em um raio de um quilômetro da residência.

O ex-presidente também está proibido de utilizar redes sociais e de produzir vídeos ou áudios para divulgação pública. Durante a domiciliar, foram autorizadas apenas as visitas de familiares, advogados e profissionais de saúde.

O episódio mais recente envolvendo Bolsonaro ocorreu após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em seu nome.

A arma foi encontrada durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal em um veículo conduzido pelo segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Em depoimento prestado na terça (23), Bolsonaro confirmou que a pistola estava em sua residência e que havia solicitado ao militar que providenciasse o conserto do equipamento após identificar uma falha no funcionamento.

A defesa sustenta que não houve irregularidade. Segundo os advogados, integrantes da equipe de segurança haviam retirado o percussor da arma sem conhecimento prévio do ex-presidente. A medida teria sido adotada em razão dos medicamentos psiquiátricos utilizados por Bolsonaro.

A apreensão da arma é vista por especialistas como um dos elementos que podem ser considerados pelo ministro ao avaliar a manutenção da prisão domiciliar.

A decisão sobre o futuro do benefício deverá levar em conta dois fatores principais: a evolução do quadro clínico de Bolsonaro e o cumprimento das condições impostas pelo STF durante a domiciliar.

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