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Vereadores de BH questionam procuradoria da prefeitura por suposto perdão de dívida de IPTU de Kalil

Lucas Ragazzi foi processado após revelar que prefeitura desistiu de ação de cobrança de dívida de IPTU do ex-prefeito

Vereadores de Belo Horizonte acusaram o ex-prefeito e candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PSD), de tentar intimidar o jornalista Lucas Ragazzi após publicação de matéria sobre o perdão de dívidas de Kalil pela prefeitura da capital mineira.

Durante a sessão desta quinta-feira (4), o vereador Gabriel Azevedo (sem partido) questionou a atuação do procurador-geral do município, Hércules Guerra, sobre sua atuação à frente do órgão.

A reportagem de Lucas Ragazzi mostra que a Prefeitura de Belo Horizonte desistiu de uma ação de cobrança de IPTU contra o ex-prefeito Alexandre Kalil nos últimos dias de mandato no Executivo municipal, antes de renunciar para preparar sua pré-candidatura ao governo de Minas.

“Queremos saber se a atual prefeitura vai se dar a postura de encobrir os crimes do senhor Alexandre Kalil. Pergunto ao atual procurador, senhor Hércules, o senhor está na procuradoria-geral para apagar a bagunça do senhor Kalil? Dever IPTU não é crime, mas agir no cargo para apagar as dívidas, isso é coisa de moleque criminoso”, criticou o vereador.

O parlamentar questionou também o motivo de os documentos pedidos pelo jornalista Lucas Ragazzi não terem sido apresentados pela prefeitura, mas disponibilizados para o ex-prefeito.

“Por que é que o repórter Lucas Ragazzi, da Itatiaia, procurou a prefeitura sobre esses fatos e ninguém respondeu, mas um dia depois, quando a prefeitura foi questionada por esse criminoso chamado Alexandre Kalil, a resposta foi pronta? Por que? O procurador está encobrindo? O prefeito atual está dando cobertura? O homem que devia o IPTU limpou suas contas e agora processa um jornalista porque ele perguntou sobre o caso. O procurador do município está sendo convocado para explicar aqui nesta Casa se está encobrindo bandido”, questionou Gabriel.

Intimidação

A vereadora Fernanda Altoé (Novo), criticou o fato de o ex-prefeito processar o jornalista e afirmou que ele tenta intimidar a imprensa.

“Assédio judicial é quando se usa a justiça para intimidar, para calar a imprensa. É uma situação muito grave que vivenciamos em BH. Eu analisei a matéria jornalística e ele descreve fatos e fatos que aconteceram exatamente como está no processo de cobrança do IPTU em que o procurador pediu a extinção do processo sem julgamento do mérito. O jornalista pediu o documento que fundamentou a tomada de decisão da procuradoria e a prefeitura não respondeu. O ex-prefeito pediu no mesmo dia e teve acesso”, afirmou a vereadora.

O líder de governo, vereador Bruno Miranda (PDT), rebateu os questionamentos de Gabriel Azevedo e afirmou que a atual gestão da prefeitura não trabalha para apagar qualquer tido de mal feito.

“Não tem na prefeitura, muito menos na pessoa do Fuad, um apagador de crime. Ele não está lá para apagar crime de ninguém e não tem compromisso com crime de ninguém. Se o senhor tem provas de que crimes foram cometidos, que apresente de forma clara. Vossa excelência vem nesse microfone e ataca a honra das pessoas de forma irresponsável”, afirmou Miranda.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do ex-prefeito Alexandre Kalil, que não se manifestou até a publicação da matéria.

A prefeitura de BH, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não comentaria o caso.

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
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