Roupinha de pet no jogo do Brasil: cuidados para torcer sem causar desconforto
O que parece apenas uma brincadeira inofensiva e instagramável pode esconder sérios riscos para o bem-estar dos animais de estimação

Os dias de jogo da Seleção Brasileira transformam completamente a rotina das casas no país. Entre os gritos de gol e a reunião de amigos, um hábito tem se tornado cada vez mais comum: vestir cães e gatos com camisas verdes e amarelas ou bandanas temáticas.
Porém, o que parece apenas uma brincadeira inofensiva e instagramável pode esconder sérios riscos para o bem-estar dos animais de estimação. Assim como o uso de fantasias de carnaval Para garantir que o seu pet participe da torcida com o máximo de segurança, há alguns alertas fundamentais sobre os limites do conforto animal em dias de festa e nos quais os tutores precisam prestar atenção.
O perigo oculto do superaquecimento e do estresse
O primeiro fator a ser considerado antes de colocar qualquer adereço no animal é a regulação térmica. Diferente dos humanos, os cães não suam pela pele; eles fazem a troca de calor principalmente pela respiração (ofegando) e pelas almofadinhas das patas (coxins).
De acordo com os alertas técnicos do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), o uso de tecidos grossos ou sintéticos em dias quentes pode levar o animal à hipertermia (superaquecimento corporal), um quadro grave que gera desconforto respiratório imediato e, em casos extremos, pode levar o pet à morte.
Além do calor físico, o estresse psicológico provocado por roupas apertadas pode ser aumentado pelo barulho dos fogos de artifício e das comemorações de gol. Um animal que já está assustado com os ruídos externos e se sente "preso" por uma roupa inadequada pode entrar em pânico gerar acidentes ou tentativas desesperadas de fuga.
Se o seu pet é sociável, acostumado com adereços e você faz questão de incluí-lo no clima da torcida, a escolha do material é o ponto de partida mais importante. O tamanho da peça nunca deve ser baseado no "olhômetro", mas sim no comportamento do bicho ao vestir.
Lembrete aos tutores: roupinhas apertadas ou que restrinjam movimentos podem causar estresse. Verifique se a roupa é do tamanho certo e se permite que o pet se movimente naturalmente, sem pressionar pescoço, patas ou barriga.
Além disso, o monitoramento do comportamento do animal deve ser contínuo durante os 90 minutos de partida. Muitas vezes, o cão ou gato dá sinais claros de que está desconfortável.
A Itatiaia listou alguns deles:
- Estátua: o pet veste a roupa, "congela" e se recusa a caminhar ou sentar.
- Ofegância excessiva: mesmo em ambiente fresco ou com o ar-condicionado ligado, o animal permanece de boca aberta e língua para fora.
- Coceira ou lambedura: tentativas frequentes de morder a roupa ou lamber as patas.
- Olhar arredio e orelhas baixas: sinais clássicos de estresse, medo ou submissão incômoda.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



