Roupinha para o frio: como saber se o pet precisa e qual escolher
As recomendações veterinárias variam para cães e gatos; roupinhas funcionam, mas estão longe de ser uma regra geral

Com a chegada das frentes frias, que derrubam os termômetros em Minas Gerais e outras regiões do Brasil, o mercado pet coloca para circular as roupinhas de frio para pets. Diante de tantas opções, tutores podem ter algumas dúvidas: roupa para cachorro no frio funciona de verdade? E será que um gato precisa de roupa no inverno para se manter quentinho ou a pelagem dele é o suficiente?
Primeiramente, a medicina veterinária adverte e reforça que a humanização excessiva pode prejudicar o bem-estar dos animais. Por isso, o uso de roupas deve seguir critérios fisiológicos e de bem-estar, e não apenas estéticos.
Quais cachorros realmente precisam de roupas para o frio?
A resposta direta é sim, elas funcionam, mas estão longe de ser uma regra geral para todos os caninos. A necessidade de agasalho depende estritamente da raça, da idade e do tipo de pelagem do animal.
Cães de pelagem curta e sem subpelo, como Pinschers, Dachshunds, Galgos e Chihuahuas, sofrem consideravelmente mais com a queda de temperatura. Para esses animais, a roupinha funciona como uma barreira térmica muito importante para evitar a hipotermia.
Por outro lado, vestir raças “desenvolvidas” para o frio, como Huskies Siberianos, Chow Chows, São Bernardos ou Golden Retrievers, é um erro. Segundo os manuais de bem-estar animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), forçar o uso de roupas em cães de pelagem densa pode causar superaquecimento.
Além disso, a prática favorece o aparecimento de doenças dermatológicas devido à retenção excessiva de umidade na pele.
Cães idosos ou filhotes, independentemente da raça, têm mais dificuldade em regular a temperatura corporal e perdem calor muito rápido. Nesses casos específicos, o uso de uma roupinha leve durante as noites mais frias é uma boa prática, recomendada inclusive por pelos mesmos manuais do CFMV.
Gato precisa de roupa no inverno?
Quando o assunto muda para os felinos, a abordagem veterinária é radicalmente oposta. Salvo raras exceções anatômicas, como a raça Sphynx, que não tem pelos, a recomendação técnica é que gatos não precisam e não devem usar roupas no inverno.
Especialistas em comportamento alertam que os gatos são animais muito sensoriais e a pelagem deles é útil para regular a temperatura e interagir com o ambiente. Colocar uma roupa em um gato restringe seus movimentos naturais e bloqueia seu instinto de autolimpeza.
Laila Massad Ribas, médica veterinária especialista e autora de livros sobre medicina felina no Brasil, orienta que o uso de tecidos no corpo do gato gera um alto nível de estresse. Esse desconforto ininterrupto pode desencadear problemas de saúde graves e de fundo emocional, como a cistite idiopática felina, que é uma inflamação severa na bexiga.
“Em vez de forçar o uso de roupinhas, o foco deve ser o enriquecimento ambiental. Oferecer caminhas, cobertores de microfibra e tocas bem protegidas do vento é a melhor forma de manter os bichanos confortáveis”.
Para ajudar os tutores na hora de comprar roupinhas e acessórios de inverno para os pets que realmente precisam (como os cães de pelo curto), a Itatiaia listou dicas básicas para garantir o conforto e a segurança na escolha dos produtos:
- Evite tecidos sintéticos e lãs felpudas: prefira materiais antialérgicos como algodão ou tecido soft, que deixam quentinho, mas sem causar atrito ou alergias na pele do animal.
- Atenção às medidas e articulações: a roupa não pode apertar a região do pescoço, nem travar a as patas dianteiras. Se o pet estiver andando de forma robótica, significa que a peça está desconfortável e deve ser trocada.
- Zíperes e botões são perigosos: prefira roupinhas com fechamento em velcro ou modelos inteiros. Isso evita que o animal arranque e engula pequenos enfeites.
Rotina de higienização obrigatória: a roupa deve ser retirada diariamente para escovação do pelo e lavada regularmente. Manter o cão vestido 24 horas por dia abafa a pele e cria o ambiente perfeito para a proliferação de fungos.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



