Banho em pets no frio: quando dar e como evitar a pneumonia
CFMV explica qual a frequência ideal, a temperatura correta da água e os cuidados com a secagem para proteger cães e gatos das doenças respiratórias

Com a queda das temperaturas nos dias frios, a rotina de higiene dos pets precisa ser obrigatoriamente adaptada. Diante do clima adverso, muitos tutores ficam com receio e buscam saber como dar banho em pet no inverno sem colocar a saúde do animal em risco.
Afinal, a exposição à umidade e ao vento gelado pode favorecer o aparecimento de doenças respiratórias graves, como a pneumonia.
Embora a higiene seja fundamental, o excesso de zelo em dias frios pode ser mais prejudicial do que o acúmulo de sujeira. O banho é necessário, mas a forma de executá-lo muda completamente na temporada de baixas temperaturas.
Qual a frequência ideal de banhos durante o inverno?
A regra de ouro durante os dias frios é espaçar as lavagens o máximo possível. Diferente dos humanos, cães e gatos não transpiram pela pele e têm uma barreira de proteção natural de oleosidade que não deve ser removida constantemente.
Para os cães que costumavam tomar banho toda semana no verão, a recomendação passa a ser a cada 15 ou até 30 dias. Esse intervalo varia dependendo do comprimento da pelagem, do estilo de vida (se vive em apartamento ou quintal) e do nível de sujeira.
No caso dos gatos, a recomendação é ainda mais restrita. Os felinos são animais autolimpantes por natureza. O banho com água em gatos durante o inverno só é indicado em situações extremas de sujeira tóxica ou por prescrição dermatológica rigorosa.
Dar banho em cachorro no frio exige atenção aos horários. Os manuais de bem-estar do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) alertam constantemente em suas campanhas de inverno que o choque térmico é um dos maiores vilões da estação. A orientação oficial é que os banhos sejam dados preferencialmente nos horários mais quentes do dia, entre 11h e 15h.
"O choque térmico reduz a imunidade do animal de forma abrupta, deixando-o suscetível a vírus e bactérias que causam problemas respiratórios severos, como a pneumonia e a traqueobronquite infecciosa canina, popularmente conhecida como gripe canina", orienta os materiais técnicos as cartilhas veterinárias.
Cuidados com a água, ouvidos e o uso correto do secador
O preparo do ambiente antes de abrir a torneira é o passo mais importante. O banheiro deve estar com as portas e janelas totalmente fechadas para evitar qualquer corrente de ar.
A água precisa ser morna, agradável ao toque do antebraço de um humano. Água quente demais, além de causar desconforto, resseca a pele do animal e pode desencadear dermatites e descamação.
Outro ponto crítico são os ouvidos. A umidade no canal auditivo, combinada com o clima frio, é a receita perfeita para otites fúngicas ou bacterianas. O uso de algodão hidrofóbico (impermeável) nas orelhas antes de iniciar a lavagem é um cuidado básico.
Para ajudar os tutores a manterem a higiene em dia sem comprometer a imunidade do animal, a Itatiaia listou um guia prático para dar banho em pet no inverno com total segurança:
- Prepare o ambiente antes: deixe a toalha, o shampoo e o secador já separados dentro do banheiro. Nunca ande com o animal molhado por corredores frios, áreas com vento ou quintais abertos.
- Atenção redobrada ao secador: o uso do secador é obrigatório no inverno, mas exige cautela. Mantenha o aparelho em temperatura morna, a pelo menos 30 centímetros de distância do pelo do animal, movimentando-o sem parar para não causar queimaduras na pele.
- Proteja as orelhas: coloque chumaços de algodão nos ouvidos antes de ligar o chuveiro e lembre-se de retirá-los imediatamente após o banho, secando bem a parte interna da orelha com uma toalha limpa ou gaze.
Aposte no banho a seco: nos longos intervalos entre as lavagens completas com água, o uso de produtos de banho a seco (em gel, espuma ou spray) associado à escovação diária é a melhor estratégia. Eles removem a sujeira superficial, tiram o mau cheiro e mantêm o pelo saudável sem expor o pet ao frio.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



