Calopsita sente frio? Como proteger a gaiola sem sufocar a ave
O vento é o maior inimigo dos pássaros nos dias gelados; saiba qual tecido usar para cobrir o viveiro à noite

Com a chegada dos dias frios, a preocupação com os pets ganha novos focos. Para quem tem aves em casa, as dúvidas frequentes são: calopsita sente frio? E como proteger os pássaros da friagem sem colocar a saúde deles em risco?
Aves como calopsitas, periquitos e canários são muito sensíveis a mudanças bruscas de temperatura, mas o maior vilão do inverno não é apenas a queda no termômetro, mas sim as correntes de vento.
Na natureza, esses animais se abrigam em ocos de árvores ou folhagens densas para fugir do ar gelado. Em cativeiro, cabe ao tutor reproduzir essa proteção para evitar que a ave sofra com doenças respiratórias ou até mesmo morra por hipotermia.
Como cobrir a gaiola de passarinho no inverno com segurança?
Uma das práticas mais comuns e eficazes para proteger as aves de estimação durante as madrugadas frias é cobrir o viveiro. Mas a escolha do material exige cuidado do tutor, pois o tecido precisa bloquear o vento, mas também deve permitir a circulação de oxigênio.
O uso de plásticos, sacos de lixo ou lonas impermeáveis é um erro. Esses materiais bloqueiam a troca de ar, aumentam a umidade interna e podem asfixiar o animal ou propiciar a proliferação de fungos que ameaçam o sistema respiratório dele.
Segundo as diretrizes de manejo e bem-estar de animais silvestres apoiadas pelos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMV), a recomendação é usar tecidos naturais e respiráveis.
Capas de algodão escuro, cobertores leves de microfibra ou flanelas grossas são os mais indicados, desde que o tutor sempre deixe uma fresta livre para a renovação do ar.
Lâmpadas aquecedoras funcionam ou são perigosas?
Outro recurso muito procurado por tutores é a instalação de lâmpadas aquecedoras de cerâmica, semelhantes às usadas em terrários de répteis. Embora sejam fontes de calor eficientes, elas exigem instalação técnica rigorosa e raramente são indicadas para gaiolas domésticas comuns.
Se a lâmpada for colocada muito perto do poleiro ou da grade, a ave pode sofrer queimaduras graves nas penas ou nas patas. Além disso, o ressecamento excessivo do ar dentro do ambiente fechado compromete as vias aéreas das calopsitas e gera desconforto respiratório.
Para ajudar os tutores a garantir um ambiente quentinho e seguro para os pássaros sem cometer erros no manejo, a Itatiaia listou as principais dicas práticas para as noites de inverno:
- Atenção ao tecido da capa: prefira cobertores de microfibra, edredons finos ou tecidos de algodão grosso para cobrir a gaiola à noite. Evite lonas plásticas para não sufocar a ave.
- Mantenha uma fresta de ventilação: nunca cubra a gaiola por completo, isolando-a 100%. Deixe uma pequena abertura na parte de baixo ou em um dos cantos encostados na parede para garantir que o ar limpo circule.
- Cuidado com a localização do viveiro: tire a gaiola de perto de janelas, varandas ou corredores onde o vento encana. O ideal é posicionar o recinto em um cômodo interno da casa, encostado em uma parede de alvenaria.
Evite o uso de ninhos para aquecimento: se a calopsita não estiver em período de reprodução, colocar ninhos de madeira "para ela se esquentar" é um erro. Isso pode induzir um comportamento reprodutivo indesejado, gerando estresse crônico e desgaste físico severo, especialmente nas fêmeas.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



