Comum entre calopsitas, papagaios e periquitos, entenda o que é o picanismo
Comportamento pode indicar estresse, doenças ou carência ambiental, e exige atenção do tutor

Ver uma ave arrancando as próprias penas pode ser angustiante para quem aprecia e convive com ela. O comportamento tem nome, é conhecido como picanismo, ou piquice, e trata-se de uma automutilação, um sinal de que algo está errado no corpo ou no ambiente do animal.
A prática é relativamente comum em aves domésticas, e comumente vista entre calopsitas, papagaios e periquitos, mas ainda assim deve ser vista como “normal”.
Ainda de acordo com Ortiz, “as aves depenam como forma de se acalmarem ou por aborrecimento, mas também pode haver causas médicas, como infecções e deficiências nutricionais”.
Para reverter o problema, é preciso agir de forma integrada, em vez de isolada. Isso significa identificar a causa e ajustar o ambiente, a alimentação e a rotina. Apenas um veterinário especializado poderá indicar o tratamento adequado, mas o tutor pode colaborar com uma série de medidas simples no dia a dia.
A Itatiaia listou algumas delas:
- Leve a ave a um especialista em animais silvestres para descartar doenças de pele, parasitas e deficiências nutricionais.
- Ofereça dieta variada com sementes, frutas e verduras adequadas à espécie; suplementos só devem ser usados com orientação profissional.
- Ambiente enriquecido: proporcione brinquedos, poleiros de diferentes tamanhos, galhos naturais e tempo fora da gaiola em local seguro.
- Mantenha horários fixos para alimentação, descanso e interação, evitando mudanças bruscas.
- Aves são animais sociáveis e precisam de estímulos diários, pois a solidão prolongada é uma das principais causas do problema.
“Quanto mais ocupada a ave estiver, menos vai pensar em arrancar as penas”, conclui Ortis.
E o mais importante: o comportamento de piquice não deve ser punido, mas compreendido como um pedido de ajuda.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



