É saudável um cachorro ser 'de madame'? Entenda a diferença entre cuidado e exagero
A humanização excessiva pode desencadear problemas comportamentais como agressividade, dependência emocional e fobias

Ter um cachorro tratado como “de madame”, com roupas, carrinho, rotina de beleza e até cardápio especial, parece um sinal de amor e cuidado. No entanto, especialistas alertam que a humanização excessiva pode trazer consequências negativas à saúde física e emocional dos cães. O problema não está em oferecer conforto, mas em confundir afeto com substituição de necessidades naturais, como exercício, socialização e limites.
A linha entre o cuidado saudável e o exagero é tênue, mas tutores precisam diferenciar: vestir o animal em dias frios, oferecer alimentação de qualidade e garantir acompanhamento veterinário são atitudes positivas. Já restringir o contato com outros cães, impedir o animal de se sujar ou forçá-lo a participar de rotinas humanas, como festas ou desfiles, pode ser prejudicial.
Para manter o equilíbrio entre carinho e bem-estar, especialistas recomendam:
- Estimular o comportamento natural, com passeios diários, brincadeiras e socialização com outros animais.
- Estabelecer limites claros para o cão, para que ele entenda regras e rotinas, o que o ajuda a se sentir seguro.
- Cuidar da saúde mental e física, por meio de enriquecimento ambiental, com brinquedos e desafios cognitivos.
- Evitar exageros estéticos, como roupas, perfumes e acessórios, que devem ser usados apenas quando realmente forem necessários.
A veterinária comportamentalista Heloísa Fonseca, em entrevista à Revista Crescer, reforça que “o bem-estar animal não está no luxo, mas em atender às necessidades biológicas e emocionais da espécie. Um cão feliz é aquele que pode ser cão, sem pressões humanas”.
O vínculo entre tutor e animal deve promover saúde, segurança e respeito às características individuais, reforça o Guia de Boas Práticas do CFMV.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



