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Como aquecer filhote de cachorro e gato no frio? O perigo das madrugadas e o que fazer

Sem capacidade de regular a própria temperatura, recém-nascidos e pets com poucos meses de vida correm risco de hipotermia à noite

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Se um filhote for separado da mãe precocemente ou se a ninhada estiver em um local mal isolado, a temperatura corporal deles despenca, acompanhando o clima do ambiente • Divulgação/ Colossal Bioscences

Com a chegada dos dias frios, tutores de primeira viagem enfrentam um desafio de sobrevivência dentro de casa: como garantir que filhotes não passem frio à noite?

Ao contrário dos cães e gatos adultos, que têm uma pelagem mais densa e uma reserva de gordura já estabelecida para suportar o frio, os filhotes são extremamente vulneráveis ao clima. Nas primeiras semanas e meses de vida, o sistema de termorregulação (a capacidade do organismo de produzir e reter calor) ainda é imaturo.

Um filhote tremendo à noite não está apenas desconfortável; ele está gastando a pouca energia vital que tem para tentar não congelar, o que pode levar a um quadro potencialmente fatal de hipotermia ou à queda da imunidade.

A biologia do frio: por que as madrugadas são tão perigosas?

Para entender melhor o problema, é preciso recorrer à fisiologia veterinária. Se um filhote for separado da mãe precocemente ou se a ninhada estiver em um local mal isolado, a temperatura corporal deles despenca, acompanhando o clima do ambiente.

A literatura clínica internacional, muito utilizada nos consultórios brasileiros, é categórica sobre essa fragilidade dos filhotes. Segundo as diretrizes do Manual Merck de Veterinária, uma das principais fontes de consulta do setor, a dependência térmica do filhote é total. 

Durante as primeiras semanas de vida, os neonatos não conseguem regular a própria temperatura corporal, sendo totalmente dependentes do calor materno ou ambiental para sobreviver."

Sem a mãe por perto para formar uma "barreira de calor", essa função passa a ser inteiramente do tutor. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) elabora comunicados oficiais e cartilhas anuais alertando que filhotes e idosos formam o grupo de risco máximo do frio.

A entidade adverte sobre o perigo invisível dentro das casas: "A queda brusca de temperatura e a exposição a correntes de ar são prejudiciais aos animais, podendo causar o desenvolvimento de doenças respiratórias e até a morte", alerta a cartilha de posse responsável do órgão.

Para garantir essa "temperatura adequada" e blindar o sistema imunológico do seu filhote de cachorro ou gato sem causar acidentes (como queimaduras), a Itatiaia listou as estratégias mais seguras de aquecimento noturno:

  • Bloqueie o contato com o chão frio: colocar um cobertor direto no piso de cerâmica não adianta, pois a friagem da pedra "rouba" o calor do tecido. Eleve a caminha usando estrados de madeira, papelão grosso (várias camadas) ou tapetes grossos de EVA por baixo da cama do pet.
  • Crie um formato de "ninho": filhotes amam dormir encolhidos. Use caminhas com bordas altas (estilo iglu ou cabana) e coloque cobertores de soft ou microfibra. Esses tecidos retêm o calor do próprio corpo do animal com muita eficiência.
  • Atenção às bolsas térmicas: se o filhote for muito novinho ou órfão, bolsas de água quente são excelentes, mas exigem muito cuidado. Nunca coloque a bolsa em contato direto com o pet. Enrole-a em uma toalha grossa e deixe-a em um canto da cama, permitindo que o filhote se afaste dela caso sinta muito calor.
  • Roupinhas exigem supervisão: o uso de casacos de tricô ou soft é muito bem-vindo para filhotes de pelo curto. No entanto, certifique-se de que a roupa não está apertando o pescoço ou limitando a respiração.

Cuidado com as frestas de portas e janelas: o vento da madrugada é o pior inimigo dos pulmões do filhote. Posicione a caminha no cômodo mais quente da casa e coloque "cobrinhas de tecido" nas frestas das portas para bloquear correntes de ar que circulam rente ao chão.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.