Peixe vira pet por lei no Ceará e medida pode impulsionar aquarismo; entenda

Com a nova regra, estado abre caminho para debates mais amplos sobre responsabilidade na criação, comércio e manejo de peixes criados como animais de estimação

O avanço reflete uma tendência de ampliar o conceito de pet para além de cães e gatos, acompanhando mudanças no comportamento dos tutores e no mercado de animais de companhi

Uma mudança legislativa no Ceará passou a reconhecer oficialmente os peixes ornamentais como animais de estimação, movimento que pode impactar tanto o mercado de aquarismo quanto políticas de bem-estar animal. A Lei 19.639, sancionada em novembro de 2025, enquadra esses organismos aquáticos na categoria de pets no estado.

A informação foi detalhada pelo colunista Egídio Serpa, do Diário do Nordeste, ao explicar que a norma trata da piscicultura ornamental com foco no “bem-estar animal e na preservação da biodiversidade”. O texto legal define a atividade como a criação e manejo de peixes “para fins estéticos, recreativos, terapêuticos e de estima, em aquários domésticos ou públicos”.

Setor aposta em formalização e crescimento

A nova legislação, apelidada de “Lei Peixe é Pet”, deve incentivar a formalização de produtores que hoje atuam na informalidade. O empresário Airton de Azevedo Carneiro afirmou à coluna que há muitos criadores no Ceará que ainda não se regularizaram.

“Muitos dos produtores não se sentem confortáveis a enfrentar o ambiente de formalização”, disse. Na avaliação dele, a medida pode gerar impacto social relevante. O empresário acrescentou que a lei “dará dignidade a centenas de famílias cearenses” que hoje produzem peixes ornamentais sem reconhecimento formal.

Segundo Carneiro, o setor tem base estruturada para crescer. Ele destacou que existe “uma cadeia pronta de fornecedores, tanto na indústria quanto na produção”, indicando potencial de expansão econômica.

Apesar disso, a burocracia ainda é apontada como obstáculo, especialmente para pequenos produtores. O empresário observou que o aquicultor familiar muitas vezes “produz, mas não consegue formalizar-se para poder agregar valor à sua produção e ter acesso ao crédito”.

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O que muda com a nova lei

Na prática, a legislação busca dar segurança jurídica ao aquarismo ornamental no estado. Entre os principais efeitos esperados estão:

  • reconhecimento formal dos peixes ornamentais como animais de estimação;
  • regulamentação da piscicultura ornamental no Ceará;
  • estímulo à formalização de criadores;
  • fortalecimento da cadeia produtiva do aquarismo;

promoção do bem-estar animal e da biodiversidade.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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