Nebulização em cães exige indicação veterinária; saiba para quais casos o procedimento é indicado

A nebulização deve ser encarada como parte de um tratamento veterinário mais amplo, e não como solução caseira universal

Estudos clínicos nacionais também relatam uso terapêutico da nebulização em casos de bronquite crônica canina, com melhora após associação de soro fisiológico, medicamentos inaláveis e manejo ambiental

A nebulização em cães é um recurso terapêutico usado principalmente em problemas respiratórios, mas não deve ser feita sem orientação profissional. O procedimento consiste em transformar líquidos em uma névoa fina que é inalada pelo animal, o que ajuda a umidificar as vias aéreas e facilitar a eliminação de secreções.

Segundo a médica-veterinária Camila Canno Garcia, médica-veterinária e coordenadora de qualidade e processos técnicos do Grupo Petz, a nebulização é indicada quando há necessidade de “umidificar a traqueia e os brônquios”, mais ainda em períodos secos que favorecem irritação e inflamação das vias respiratórias. A especialista explica ainda que o método pode auxiliar na expectoração de muco, mas deve ser realizado apenas com prescrição veterinária, já que o uso inadequado pode atrasar o diagnóstico ou piorar o quadro clínico.

A inalação aumenta a lubrificação das vias respiratórias e permite a ação direta de medicamentos como anti-inflamatórios, antibióticos e broncodilatadores, sempre após diagnóstico profissional, de acordo com o portal Patas da Casa.

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Em quais situações a nebulização é indicada

A literatura veterinária associa o procedimento a doenças respiratórias com excesso de secreção, como quadros de asma, alergias, gripes e pneumonia, nos quais a fluidificação do muco facilita a respiração e a eliminação de secreções. Estudos clínicos nacionais também relatam uso terapêutico da nebulização em casos de bronquite crônica canina, com melhora após associação de soro fisiológico, medicamentos inaláveis e manejo ambiental.

Apesar dos benefícios, há limitações. A Revista Meu Pet, por exemplo, ressalta que o método pode causar irritação em olhos, nariz ou garganta e até desconforto respiratório quando utilizado de forma inadequada.

Na prática clínica, a nebulização é semelhante à feita em humanos: utiliza um aparelho que produz partículas inaláveis e pode ser combinada a medicamentos prescritos conforme o diagnóstico. O uso veterinário, no entanto, costuma ocorrer em sessões geralmente entre 10 e 15 minutos, com o animal calmo e em ambiente tranquilo, seguindo rigorosamente a orientação do profissional responsável.

Sinais que indicam necessidade de avaliação veterinária

A Itatiaia listou alguns sinais que podem indicar desde irritações leves até doenças pulmonares que exigem tratamento específico. Antes de qualquer tentativa de tratamento em casa, especialistas recomendam procurar atendimento quando o cão apresenta:

  • tosse persistente, com ou sem catarro;
  • espirros frequentes ou secreção nasal;
  • chiado ou dificuldade para respirar;
  • letargia ou piora do estado geral;
  • suspeita de doença respiratória diagnosticável.

Procedimento complementar, não solução isolada

A nebulização raramente resolve o problema sozinha. Como reforça o Blog da Petz, muitos casos exigem associação com antibióticos, anti-inflamatórios ou broncodilatadores definidos pelo veterinário após exame clínico.

Por isso, embora seja um método relativamente simples, a nebulização deve ser encarada como parte de um tratamento veterinário mais amplo, e não como solução caseira universal. O diagnóstico precoce e a orientação profissional continuam sendo os fatores mais importantes para proteger a respiração, o conforto e a qualidade de vida do cão.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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