Lambedura, falta de apetite e excesso de apego podem ser sinais de dor em cães e gatos
Veterinária explica como mudanças sutis no comportamento dos pets podem indicar desconforto, estresse ou até problemas de saúde

Nem sempre é fácil perceber quando um animal está sentindo dor. Cães e gatos podem continuar realizando atividades normalmente mesmo quando algo não vai bem. Por isso, mudanças pequenas na rotina e no comportamento devem chamar a atenção dos tutores.
Segundo a médica veterinária Giovanna Del Cistia, alguns sinais podem passar despercebidos, como redução do apetite, menor disposição e alterações na forma como o animal interage com as pessoas e com o ambiente.
"Um animal pode dormir mais, ficar mais apegado ao tutor ou então até mais agressivo, e por vezes evitando usar alguma parte do corpo", explicou a veterinária ao g1.
Lambedura excessiva também merece atenção
Um comportamento comum entre os pets também pode funcionar como sinal de alerta. A lambedura excessiva das patas ou de determinada região do corpo pode indicar que existe algum incômodo naquele local.
Nos gatos, outro comportamento que pode indicar que algo não está bem é urinar com frequência fora da caixa de areia. De acordo com a veterinária, nem sempre os tutores conseguem relacionar essas mudanças à possibilidade de dor.
"Animais com dor tendem a ter uma frequência cardíaca e respiratória um pouco mais elevada. Além da dor, sinais de desconforto também podem estar ligados a fatores comportamentais, como estresse", afirmou Giovanna.
Pets idosos precisam de atenção especial
As mudanças podem aparecer em animais de qualquer idade, mas os pets idosos são mais suscetíveis a dores crônicas, como as provocadas pela artrose.
A veterinária ressalta que um animal idoso saudável pode ter menos energia do que um filhote ou um adulto, mas ainda deve manter uma rotina normal de alimentação e movimentação.
"O animal idoso saudável, apesar de ter menos energia que um filhote ou adulto, ainda deve se movimentar e comer normalmente. Animais idosos muito prostrados podem estar apresentando dores", explicou.
Observar o comportamento ajuda a identificar mudanças
A observação diária pode ser uma das principais ferramentas dos tutores. É importante perceber se o animal está comendo e bebendo normalmente, além de prestar atenção a alterações de humor, disposição e comportamento.
A tutora Stephany Marcondes, de 25 anos, contou ao g1 que observar os dois cães faz parte da rotina. Segundo ela, mudanças aparentemente pequenas podem indicar que alguma coisa está errada.
"Acho importante observar o comportamento deles no dia a dia, porque muitas vezes eles demonstram que alguma coisa não está bem mesmo sem apresentar sinais muito evidentes", relatou.
Ela também percebe diferenças entre situações de desconforto, doença e medo. Quando estão incomodados, os cães podem ficar mais ofegantes e irritados. Quando estão doentes, ficam mais quietos, desanimados e perdem o interesse pelas brincadeiras. Já em situações de medo ou insegurança, podem procurar lugares para se esconder e até tremer.
"Hoje consigo identificar alguns sinais apenas pela mudança de comportamento. Quando percebo que estão ofegantes sem terem feito esforço ou muito quietinhos e sem vontade de brincar, já fico em alerta porque sei que provavelmente existe alguma coisa diferente acontecendo", contou Stephany.
Gatos também podem mostrar que algo está errado
Os gatos costumam ser mais discretos na demonstração de problemas, mas também apresentam mudanças que podem ser percebidas por quem convive com eles.
A fisioterapeuta Maria Carolina Sanches, de 27 anos, contou que consegue identificar alterações no comportamento de seu gato Draco, de seis anos. Em uma ocasião, o animal machucou a parte interna da orelha, mas o ferimento não era visível. Mesmo assim, os miados repetitivos ajudaram a indicar que havia algo diferente.
"Seja por miado e pela tonalidade dos miados, quanto pela forma como ela dá mordidinhas no meu tornozelo, eu já consigo entender o que ele tá querendo", relatou Maria.
Segundo ela, Draco também costuma demonstrar mudanças quando passa mais tempo dentro de casa, já que normalmente gosta de ficar no quintal e brincar ao sol.
"Ele gosta bastante de brincar no sol ou de ficar deitado no quintal, se ele fica muito dentro de casa a gente já começa a achar estranho, principalmente se fica muito tempo quieto ou soltando uns miados baixos resmungando", contou.
Quando procurar um veterinário?
A recomendação é buscar avaliação profissional sempre que o tutor perceber uma mudança significativa ou persistente no comportamento do animal. Isso porque um mesmo sinal pode ter diferentes causas, e nem todo desconforto significa necessariamente que o pet esteja sentindo dor.
A veterinária também alerta que medicamentos destinados a humanos não devem ser administrados por conta própria aos animais.
"Nem todo sinal de desconforto é dor e nem todo analgésico humano pode ser usado em animais, além de cães e gatos necessitarem de dosagens específicas. Portanto, a indicação é sempre levar à um veterinário", reforçou Giovanna ao g1.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



