Problemas respiratórios em buldogue francês: estudo revela possível solução
Pesquisas apontam que a seleção de cães com melhor função respiratória pode ajudar a diminuir o risco de síndrome obstrutiva das vias aéreas dos braquicefálicos (BOAS). O problema atinge, principalmente, buldogues, buldogues franceses e pugs

A respiração barulhenta, o cansaço depois de pouco esforço e a dificuldade para suportar o calor são situações frequentemente associadas ao buldogue francês. Mas dois estudos recentes sugerem que esses problemas não devem ser encarados simplesmente como características normais da raça.
As pesquisas indicam que parte das dificuldades respiratórias pode estar relacionada à genética e, por isso, poderia ser reduzida ao longo das gerações com uma seleção mais cuidadosa dos cães utilizados na reprodução.
Um dos trabalhos, publicado na revista PLOS One, avaliou buldogues, buldogues franceses e pugs e encontrou um componente hereditário moderado na função respiratória desses animais. A herdabilidade variou de 0,21 a 0,45, dependendo da raça.
Na prática, isso significa que existe uma diferença genética entre os cães e que características relacionadas a uma melhor respiração podem ser consideradas na escolha dos animais reprodutores.
Seleção genética pode ajudar
A descoberta não representa uma solução imediata para os problemas respiratórios dos buldogued franceses. No entanto, abre espaço para uma estratégia que pode contribuir para melhorar a saúde da raça com o passar das gerações.
A ideia é priorizar, na reprodução, cães que apresentem melhores condições funcionais, em vez de considerar apenas características físicas e estéticas.
O estudo também analisou o estreitamento das narinas, conhecido como estenose de narinas. Nesse caso, a herdabilidade ficou entre 0,31 e 0,39.
Outro trabalho, também publicado na PLOS One, avaliou 14 raças braquicefálicas e investigou quais características estavam associadas ao maior risco de desenvolver a síndrome obstrutiva das vias aéreas dos braquicefálicos, conhecida pela sigla BOAS.
Os pesquisadores identificaram três fatores importantes: maior condição corporal, relacionada ao sobrepeso, narinas estreitas e menor índice craniofacial, que indica um formato de rosto mais encurtado.
Sobrepeso também aumenta o risco
Os resultados mostram que o formato do rosto não é o único fator envolvido nas dificuldades para respirar.
No estudo que reuniu buldogues, buldogues franceses e pugs, cães obesos apresentaram 3,8 vezes mais chances de desenvolver BOAS clínico. Já os animais com narinas estreitas tiveram 2,6 vezes mais chances de apresentar o problema.
Isso reforça a importância de manter o peso adequado desses cães. Embora o controle do peso não elimine os fatores anatômicos relacionados à raça, ele pode ajudar a reduzir um dos elementos associados ao risco de problemas respiratórios.
O segundo estudo também mostrou que a combinação dos fatores avaliados explicou cerca de 20% da variação observada no BOAS entre as raças analisadas. Ou seja, existem outros elementos envolvidos que ainda precisam ser compreendidos.
Problema não deve ser tratado como algo normal
Um dos principais pontos levantados pelas pesquisas é justamente a necessidade de mudar a forma como alguns sinais são interpretados.
Respiração ruidosa, cansaço fácil e baixa tolerância ao calor podem ser vistos como características típicas de um buldogue francês. Os estudos, porém, reforçam que esses sinais podem estar relacionados a alterações respiratórias que merecem atenção.
No estudo genético, foram analisados mais de 4 mil cães registrados no Reino Unido, com a função respiratória avaliada por meio de um teste padronizado do Respiratory Function Grading Scheme.
Entre os buldogues franceses avaliados, 15,6% apresentaram BOAS. O índice foi de 18,9% entre buldogues e de 19,8% entre pugs.
Os próprios resultados precisam ser interpretados com cautela. A participação nos testes foi voluntária e baixa, o que significa que a prevalência real pode ser maior. Além disso, outros trabalhos sobre BOAS em raças braquicefálicas encontraram taxas mais elevadas entre buldogues franceses.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



