A respiração de Pugs, Bulldogs e Shih Tzus exige cuidados extras; saiba quais
Raças conhecidas como braquicefalia têm maior risco de problemas respiratórios e precisam de acompanhamento constante

Cada vez mais populares no Brasil, cães de focinho curto, como pug, bulldog francês e shih-tzu, exigem atenção extra dos tutores. A anatomia dessas raças é de estrutura craniana é mais compacta, conhecida como braquicefalia, e ela pode comprometer a respiração e levar a problemas de saúde ao longo da vida.
Segundo especialistas, a condição não deve ser tratada como algo “normal” da raça.
“O tutor muitas vezes acha normal o cachorro roncar ou se cansar com facilidade, mas isso pode indicar dificuldade respiratória”, explica a médica-veterinária Camila Domingues.
Esse quadro pode piorar em épocas mais quentes, já que esses cães dependem da respiração para regular a temperatura corporal. “Esses animais têm mais dificuldade de perder calor e podem sofrer hipertermia com facilidade”, alerta Domingues.
O principal desafio dessas raças é a refrigeração. Enquanto os cães perdem calor por meio da respiração ofegante, o focinho encurtado dos braquicefálicos têm vias aéreas estreitas e cornetos nasais “apertados”, o que compromete a troca térmica.
Entre os principais sinais estão respiração ofegante, cansaço excessivo e língua arroxeada. Para amenizar as dificuldades, a Itatiaia separou algumas dicas:
- Passeios em horários seguros
Caminhadas apenas antes das 9h ou após as 18h. O asfalto quente não apenas queima as patas, mas irradia calor diretamente para a barriga do cão e acelera o superaquecimento.
- Uso de peitorais
Evite coleiras de pescoço, que pressionam a traqueia já comprometida. O peitoral em formato de H é o mais indicado.
- Hidratação e resfriamento
Ofereça água fresca e pedras de gelo. Em caso de calor extremo, molhe as patas e o abdômen do pet com água em temperatura ambiente, mas nunca gelada demais para evitar choque térmico.
“A prevenção é sempre a melhor forma de tratamento, portanto procure especialistas para avaliação do seu cão enquanto ele ainda é filhote”, orienta a médica-veterinária Thayana Queiroz, em conteúdo do Hospital Veterinário Batel.
Esse acompanhamento permite identificar precocemente sinais de agravamento e indicar cuidados ainda mais específicos ou até intervenção cirúrgica, se for necessário.
Para alguns especialistas, em muitos casos essa pode ser uma solução definitiva para correção das narinas (estenosadas) e do palato mole alongado. O médico veterinário cirurgião, Marco Antônio Gioso, observa que a intervenção precoce muda drasticamente a qualidade de vida do pet.
"A plástica nasal amplia a entrada de ar, reduz o esforço cardíaco e permite que o animal suporte melhor o clima tropical", afirma ele em protocolos de cirurgia respiratória.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.
