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Conheça o sapo-pingo-de-ouro, um dos menores vertebrados do mundo

Anfíbio é uma das atrações da fauna da Serra do Japi, no interior de São Paulo

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sapo pingo de ouro
Acervo/pesquisadores UFV/Agência Minas Gerais

Em meio à vegetação da Serra do Japi, no interior de São Paulo, um pequeno anfíbio chama a atenção por uma característica impressionante: o tamanho. O sapo-pingo-de-ouro (Brachycephalus rotenbergae) está entre os menores vertebrados do mundo e pode ser menor do que uma chave.

A espécie é uma das atrações da fauna da Serra do Japi, uma das maiores extensões contínuas de Mata Atlântica do interior paulista. A área se espalha pelos municípios de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar e ocupa aproximadamente 350 km².

Um sapinho que não vive em qualquer lugar

O sapo-pingo-de-ouro é considerado uma das espécies de destaque da região justamente porque não é encontrado em qualquer ambiente. Seu nome popular está relacionado à coloração amarelo-alaranjada, bastante evidente quando o animal aparece entre as folhas que cobrem o chão da floresta.

A cor, porém, não serve apenas para deixar o pequeno sapo chamativo. Ela também funciona como um alerta para possíveis predadores, indicando que o animal pode ser tóxico se ingerido.

O ambiente da Serra do Japi oferece condições favoráveis para a sobrevivência da espécie. A presença frequente de neblina e o relevo montanhoso fazem parte das características da região onde o anfíbio vive.

Vida escondida entre as folhas

Apesar de pertencer ao grupo dos sapos, o pingo-de-ouro tem características bastante particulares. O animal possui hábitos terrestres e permanece durante toda a vida sob o folhiço, camada formada por folhas e outros materiais que se acumulam no solo da floresta.

Outra curiosidade é que ele não passa pela tradicional fase de girino. Quando chove, os pequenos anfíbios deixam o abrigo entre as folhas e vocalizam para atrair as fêmeas.

A espécie também apresenta uma característica incomum: ao longo da evolução, perdeu a capacidade de ouvir. Mesmo assim, os machos continuam emitindo sons durante o período de reprodução.

A ausência de audição ainda interfere no equilíbrio. Depois de alguns saltos, os animais podem acabar caindo de maneira desajeitada.

Serra do Japi é refúgio para a fauna

O sapo-pingo-de-ouro divide a Serra do Japi com uma grande variedade de animais. O projeto Rastros do Japi, responsável pelo monitoramento da fauna, utiliza 26 armadilhas fotográficas instaladas em diferentes pontos da serra. As imagens são acompanhadas pela equipe a cada 15 dias.

Entre os animais já registrados estão jaguatiricas, onças-pardas, veados, iraras e gatos-do-mato. Os registros ajudam a revelar a diversidade existente em uma área de Mata Atlântica que, apesar de estar cercada por regiões urbanizadas, ainda funciona como um importante refúgio para a vida selvagem.

A presença do pequeno sapo também foi destacada no documentário "Fascínio e Declínio dos Anfíbios da Mata Atlântica". A produção chama atenção não apenas pela aparência da espécie, mas também pelos desafios enfrentados pelo animal e pela importância de preservar o ambiente onde ele consegue sobreviver.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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