Síndrome do tigre: por que alguns gatos atacam os próprios tutores dentro de casa?
Entenda o que é o chamado síndrome do tigre em gatos, quais fatores podem desencadear episódios de agressividade e como a falta de estímulos e a fome podem influenciar o comportamento felino

Um gato tranquilo que, de repente, corre em direção às pernas, mãos ou braços do próprio tutor pode estar manifestando um comportamento associado ao chamado "síndrome do tigre". O termo é usado para descrever episódios de agressividade em felinos domésticos, especialmente aqueles que vivem em ambientes fechados e têm poucos estímulos.
A veterinária Laetitia Barlerin explicou o fenômeno em entrevista à revista GEO. Segundo a especialista, alguns animais podem passar por uma escalada emocional que começa com a monotonia e chega a episódios de agressividade capazes de provocar mordidas e arranhões.
O problema não significa necessariamente que o gato tenha se tornado agressivo por natureza. De acordo com Barlerin, o comportamento pode estar relacionado a uma situação de ansiedade e mal-estar.
Quando o gato passa a enxergar o dono como uma presa
O chamado síndrome do tigre pode ocorrer principalmente com gatos que não têm acesso ao exterior e permanecem em ambientes com poucos estímulos. Um animal acostumado a explorar diferentes espaços pode sentir uma mudança significativa ao passar a viver exclusivamente dentro de um apartamento.
Na rua ou em ambientes mais variados, o gato pode perseguir insetos, observar outros animais e explorar diferentes locais. Dentro de uma casa pouco estimulante, essas oportunidades desaparecem.
A situação pode se tornar ainda mais evidente nos horários em que os felinos naturalmente apresentam maior atividade: o amanhecer e o anoitecer. É nesses períodos que o instinto de caça costuma ficar mais forte.
Quando o ambiente permanece parado e "nada se move", segundo a explicação da veterinária, o próprio dono pode acabar se tornando o principal alvo da atividade do animal. Assim, o gato pode correr atrás das pernas ou atacar mãos e braços como se estivesse diante de uma presa.
A fome também pode aumentar o problema
Outro fator apontado pela especialista é a alimentação. O comportamento natural dos gatos envolve pequenas refeições distribuídas ao longo do dia. Em condições naturais, o animal faria diversos pequenos consumos enquanto procura e captura suas presas.
Quando um gato recebe comida apenas pela manhã e à noite, pode passar várias horas com fome. Essa combinação de fome, falta de estímulos e necessidade de liberar energia pode contribuir para episódios de agressividade.
Por isso, o comportamento não deve ser interpretado simplesmente como uma tentativa do animal de "dominar" o dono. A explicação apresentada por Barlerin está relacionada às necessidades naturais do felino e às condições oferecidas pelo ambiente em que ele vive.
Reação do dono pode piorar a agressividade
A maneira como a pessoa reage durante um ataque também pode influenciar o comportamento futuro do gato.
Gritar, empurrar ou bater no animal depois de uma investida não faz com que ele compreenda o motivo da punição. Segundo a veterinária, essa reação pode fazer com que o gato passe a ter medo do próprio dono.
Com isso, a agressividade pode ganhar um novo componente. O comportamento que inicialmente estaria relacionado ao instinto de caça pode passar a envolver também o medo.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



