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Seu gato deita no teclado do computador? O motivo vai além do calor

A ciência revela que o comportamento dos gatos ao ocupar notebooks e teclados está ligado a múltiplos fatores

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Quem convive com gatos provavelmente já viveu a mesma cena: basta abrir o notebook para trabalhar ou estudar e, em poucos minutos, o felino se acomoda exatamente sobre o teclado. Embora muita gente acredite que isso acontece apenas porque o equipamento está quente, especialistas afirmam que o comportamento tem explicações bem mais complexas.

Veterinários e estudiosos do comportamento felino explicam que os gatos costumam escolher o computador por uma combinação de fatores que envolve conforto, necessidade de interação com os tutores, reconhecimento de cheiros e até instinto territorial. Abaixo, confira o que eles disseram em uma reportagem publicada pelo site argentino Infobae.

Ponto de encontro

Um dos principais motivos é a busca por atenção. Quando uma pessoa está concentrada diante da tela, o computador passa a ser o centro das atividades. Os gatos percebem isso rapidamente e aprendem que, ao se deitarem sobre o teclado, conseguem interromper o trabalho e atrair o olhar e as mãos do tutor.

A veterinária Alice Barker resume esse comportamento ao afirmar que "muitos gatos se sentam sobre a computadora porque desfrutam da atenção que recebem". Segundo ela, mesmo quando o tutor apenas afasta o animal ou faz um carinho, essa interação acaba funcionando como uma recompensa, incentivando o gato a repetir a atitude.

Outra especialista, Holly Anne Hills, também veterinária, também destaca que os felinos entendem que o computador recebe grande parte da atenção das pessoas durante o dia. "Deitar ou caminhar sobre o teclado faz com que nossa atenção volte imediatamente para eles", explica.

O calor não explica tudo

O calor emitido por notebooks realmente torna o equipamento um lugar agradável para descansar. Como os gatos preferem ambientes aquecidos para economizar energia na manutenção da temperatura corporal, o teclado acaba oferecendo um local bastante confortável.

Além disso, alguns especialistas apontam que a leve vibração produzida pelo computador também pode contribuir para tornar o ambiente ainda mais atraente para o animal.

O cheiro do tutor

O olfato dos gatos é extremamente desenvolvido e desempenha um papel importante nessa escolha. O especialista em psicologia animal David Sands explica que o teclado concentra o cheiro da pessoa que o utiliza com frequência.

"Você não consegue sentir, mas um gato consegue perceber seu cheiro por todo o teclado", afirma o especialista.

Segundo ele, o computador se transforma em um objeto repleto de informações para o felino, tornando-se um local naturalmente interessante para permanecer próximo do tutor.

Marcação de território

Além de reconhecer o cheiro do dono, muitos gatos aproveitam esse momento para deixar sua própria marca.

David Sands explica que o objetivo, muitas vezes, é sobrepor o próprio odor ao do tutor, reforçando a sensação de posse sobre aquele espaço. "O principal objetivo é substituir o seu cheiro pelo dele", resume o especialista.

Rotina da casa

Os especialistas afirmam ainda que os gatos são excelentes observadores da rotina doméstica. Eles percebem quando o tutor permanece sentado por longos períodos e associam esse momento a um ambiente mais tranquilo, ideal para descansar ao lado da pessoa.

A terapeuta felina Laura Trillo explica que "quando estamos diante do computador, normalmente estamos mais tranquilos, e eles se sentem confortáveis conosco nesse momento de maior descanso".

Castigar o gato não é a melhor solução

Especialistas alertam que esse comportamento faz parte da forma como os gatos interagem com seus tutores e não deve ser punido.

Uma alternativa é oferecer uma cama, manta ou almofada ao lado da mesa de trabalho, permitindo que o animal permaneça próximo sem ocupar o teclado. Também pode ser útil reservar momentos para brincar com o gato antes do início das atividades, reduzindo sua necessidade de chamar atenção durante o expediente.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.