Ciência revela o jeito certo de fazer carinho no gato e explica os erros mais comuns
Saiba em quais partes do corpo os gatos preferem receber carinho e quais sinais indicam que é hora de parar

Muitos tutores acreditam que fazer carinho é uma das maiores demonstrações de afeto para um gato. No entanto, especialistas em comportamento animal afirmam que um gesto bem-intencionado pode acabar causando desconforto quando a linguagem corporal do felino é ignorada.
Segundo a pesquisadora Lauren Finka, especialista em comportamento felino, o erro mais comum é acreditar que um gato sociável aceita qualquer tipo de contato físico. Em entrevista à revista BBC Science Focus, ela explica que o desejo do tutor de interagir costuma falar mais alto do que os sinais emitidos pelo próprio animal.
Ao contrário do que acontece com muitos cães, os gatos costumam decidir quando, como e por quanto tempo desejam receber carinho. Respeitar essa autonomia é considerado um dos fatores mais importantes para fortalecer a confiança entre o animal e seu tutor.
"Mesmo que um gato esteja miando ou se esfregando em você, isso não significa que ele aceite qualquer tipo de manipulação", afirma Lauren Finka. "É preciso prestar atenção à linguagem corporal."
O primeiro contato deve partir do gato
A orientação da especialista é simples: em vez de tocar o animal imediatamente, ofereça a mão e espere sua reação. Se o gato se aproximar espontaneamente e esfregar o rosto na mão, esse costuma ser um bom sinal de que está disposto a interagir.
Caso ele permaneça distante ou demonstre falta de interesse, insistir no contato pode provocar estresse e tornar a experiência desagradável.
As regiões que os gatos mais gostam de carinho
Nem todas as partes do corpo proporcionam a mesma sensação aos felinos. A barriga, por exemplo, protege órgãos vitais e costuma ser uma área extremamente sensível. Mesmo gatos que confiam em seus tutores podem interpretar um toque nessa região como uma ameaça.
A base da cauda também pode gerar incômodo em muitos animais. Já áreas como costas, pernas e a própria cauda exigem atenção constante às reações do gato durante o contato.
Em contrapartida, as bochechas, a base das orelhas e a região abaixo do queixo costumam ser as preferidas. Isso acontece porque essas áreas concentram glândulas responsáveis pela produção de odores utilizados na comunicação entre os próprios gatos.
"Essas regiões da face contêm muitas glândulas que produzem cheiro. Os gatos são altamente motivados a espalhar seu odor por meio delas, então provavelmente essas áreas são naturalmente agradáveis de serem estimuladas", explica a pesquisadora.
Os sinais de que o gato já não quer mais carinho
Esperar que o animal rosne, arranhe ou morda para perceber que ele está incomodado pode ser tarde demais. De acordo com Lauren Finka, os gatos costumam demonstrar desconforto de maneira muito mais sutil.
Entre os principais sinais estão interromper o ronronar, deixar de se esfregar na pessoa, virar rapidamente a cabeça em direção à mão, movimentar ou achatar as orelhas, balançar a cauda de forma brusca, lamber o nariz repetidamente, arrepiar levemente os pelos das costas, começar a se limpar de forma repentina ou simplesmente se afastar.
"Esses indicadores relativamente sutis aparecem com bastante frequência nos gatos que observo sendo acariciados, mas as pessoas normalmente não prestam atenção neles ou interpretam esses sinais de maneira incorreta", destaca a especialista.
Mudança simples pode melhorar a convivência
Como parte de um estudo realizado em parceria com a organização Battersea Dogs & Cats Home, Lauren Finka desenvolveu um conjunto de orientações para tornar a interação mais positiva.
O método recomenda permitir que o gato escolha quando deseja o contato, observar continuamente sua linguagem corporal e concentrar o carinho nas regiões que normalmente são mais agradáveis para ele.
Outra dica é interromper o carinho por alguns segundos durante a interação. Se o gato voltar espontaneamente em busca de contato, isso indica que deseja continuar. Caso permaneça parado ou vá embora, o melhor é respeitar sua decisão e encerrar o momento de afeto.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



