Cientistas descobrem nova espécie de macaco na África após décadas de mistério
Primata encontrado nas florestas da República Democrática do Congo chama atenção pelos lábios alaranjados e ameaça de extinção já preocupa

Depois de permanecer por décadas desconhecido pela ciência, um macaco de aparência incomum finalmente foi reconhecido como uma nova espécie. Conhecido pelas comunidades locais como 'Likweli', o primata vive nas florestas da República Democrática do Congo e impressiona pelos lábios em tons de laranja e rosa, além da pelagem preta brilhante e do comportamento extremamente discreto.
A descoberta representa um marco para a ciência. Batizado oficialmente de Colobus congoensis, o animal é a quinta espécie de macaco identificada na África nos últimos 75 anos. A confirmação foi publicada na revista científica 'Plos One' após um longo trabalho de pesquisadores de instituições da República Democrática do Congo, dos Estados Unidos e da Alemanha, que reuniram evidências anatômicas, genéticas, comportamentais e ecológicas para comprovar que se tratava de uma espécie até então desconhecida.
A história da descoberta começou em 2008, quando cientistas registraram uma fotografia desfocada de um macaco diferente no Parque Nacional de Lomami. Na época, a imagem despertou curiosidade, mas não havia informações suficientes para confirmar que o animal pertencia a uma nova espécie.
Somente anos depois, novas observações permitiram organizar expedições mais detalhadas. Entre 2018 e 2022, os pesquisadores realizaram mais de uma centena de avistamentos, coletaram material genético, gravaram vocalizações e entrevistaram moradores da região, reunindo um conjunto de provas que levou ao reconhecimento oficial do primata.
Além dos lábios alaranjados, o Likweli apresenta características únicas. O macaco possui pelos longos, cauda extensa e um chamado grave semelhante ao de outros colobos, mas com uma estrutura sonora própria. Os cientistas também identificaram diferenças no crânio, na dentição e no esqueleto que o distinguem das demais espécies conhecidas do grupo.
O comportamento reservado do animal foi um dos principais desafios para os pesquisadores. O Likweli passa grande parte do tempo no topo das árvores da floresta tropical, tornando sua observação bastante difícil. Durante o estudo, equipes visitaram dezenas de comunidades próximas ao habitat da espécie, mas apenas moradores de oito vilarejos afirmaram conhecer o primata, que já fazia parte do conhecimento tradicional da população local há gerações.
Os especialistas acreditam que o novo macaco desempenha um papel importante na manutenção do ecossistema. Sua alimentação baseada principalmente em folhas contribui para a dispersão e a germinação de sementes, ajudando na regeneração da floresta. Os pesquisadores também investigam a possibilidade de que a coloração alaranjada do rosto seja utilizada para o reconhecimento entre indivíduos da espécie ou durante o período reprodutivo.
Apesar da celebração pela descoberta, os cientistas alertam para uma preocupação urgente. O Likweli foi encontrado em uma área relativamente pequena, com cerca de 1.700 quilômetros quadrados, e enfrenta ameaças causadas pela perda de habitat e pela caça.
Por isso, os autores do estudo defendem que a espécie seja considerada ameaçada de extinção e ressaltam que a conservação do Parque Nacional de Lomami será decisiva para garantir sua sobrevivência nas próximas décadas.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



