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Conheça o perigo do frio para hamsters e saiba como deixá-los quentinhos

Muitos tutores acreditam que o roedor faleceu, mas ele pode estar apenas em torpor; entenda como agir e aprenda a manter a gaiola segura

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Hamsters interagindo em gaiola
Para evitar o quadro perigoso da hibernação falsa ou pneumonias em porquinhos-da-índia e hamsters, o tutor deve intervir no ambiente antes do anoitecer • Reprodução Instagram

deix[a-los quentinhosO frio chegou e o alerta de cuidados com os pets precisa ser estendido aos pequenos roedores. Quando as temperaturas caem de forma brusca, os pequenos mamíferos podem entrar em um estado fisiológico chamado de torpor, também conhecido popularmente como "hibernação falsa".

Para tutores de primeira viagem, a cena é assustadora. O animal fica gelado, com a respiração quase imperceptível e o corpo rígido, levando muitos tutores a acreditarem que o pet faleceu. Mas esse é apenas um mecanismo extremo de sobrevivência que esconde graves riscos.

O que é a hibernação falsa e por que ela é um risco?

Diferente dos animais selvagens que se preparam durante meses para hibernar, os roedores domésticos não têm reservas de gordura suficientes para suportar longos períodos de metabolismo reduzido. O torpor doméstico é, na verdade, um sinal de falha no ambiente em que o pet está.

A literatura veterinária especializada em animais exóticos, difundida em manuais globais como o Manual Merck de Veterinária, descreve com clareza o fenômeno:

"Em temperaturas ambientes baixas, os hamsters sírios podem entrar em um estado de pseudohibernação (torpor), com diminuição da frequência respiratória e cardíaca", estabelece a diretriz clínica.

Esse estado de hipotermia letárgica é muito perigoso. Se o animal não for aquecido de forma gradual e segura pelo tutor, ele pode vir a óbito por falência dos órgãos e desidratação.

O alerta se estende também a outras espécies muito comuns nos lares brasileiros, como o porquinho-da-índia, já que eles sequer possuem o mecanismo de torpor.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) emite comunicados oficiais constantes sobre o impacto do inverno em pequenos animais:

"A queda brusca de temperatura e a exposição a correntes de ar são prejudiciais aos animais, podendo causar o desenvolvimento de doenças respiratórias e até a morte", alerta a cartilha de posse responsável do órgão.

Como proteger os pequenos roedores do frio

Para evitar o quadro perigoso da hibernação falsa ou pneumonias em porquinhos-da-índia e hamsters, o tutor deve intervir no ambiente antes do anoitecer. A regra é garantir o isolamento térmico da gaiola ou do cercado.

Para ajudar os tutores a garantirem um ambiente quentinho e bloquearem o risco da hipotermia em roedores, a Itatiaia listou um guia com as melhores estratégias de enriquecimento ambiental para o inverno:

  • Aumente a camada de substrato: no inverno, dobre a quantidade de raspas de madeira ou celulose no fundo da gaiola. Uma camada de 10 a 15 centímetros permite que o hamster cave e construa túneis profundos e quentinhos.
  • Atenção aos tecidos para porquinhos-da-índia: diferente dos hamsters (que podem se engasgar ou enrolar as patas em fios), os porquinhos-da-índia se beneficiam muito de "tocas de soft" e pequenos pedaços de manta de microfibra espalhados pelo cercado para se aninharem.
  • Passe longe do "algodão para ninho": vendidos em pet shops, esses algodões sintéticos são armadilhas mortais. Se ingeridos, causam obstrução intestinal. Para hamsters, forneça tiras de papel higiênico neutro e sem cheiro; eles mesmos picotam e constroem um ninho térmico perfeito e seguro.
  • Posicionamento da gaiola: tire o alojamento do chão e de perto de janelas. Coloque a gaiola sobre um móvel de madeira e, durante a noite, você pode cobrir parte da estrutura com um cobertor leve, desde que deixe pelo menos um lado aberto para garantir a ventilação e evitar asfixia.
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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.