Mercado pet de luxo dispara na China e transforma cães em protagonistas das famílias
Com restaurantes sofisticados, hotéis exclusivos, spas e até acupuntura, chineses investem cada vez mais em seus animais de estimação enquanto o número de bebês diminui nas grandes cidades

O mercado de luxo voltado para animais de estimação vive um crescimento acelerado na China e revela uma mudança profunda no comportamento da população. Em grandes centros urbanos, especialmente em Xangai, cães deixaram de ser apenas companheiros para ocupar um papel central na vida de seus tutores, que investem em experiências exclusivas, tratamentos de saúde e serviços de alto padrão.
Na cidade, existem espaços de lazer totalmente dedicados aos cães, onde os animais participam de circuitos de obstáculos, disputam competições com premiações e até entram em provas de barcos nas quais os próprios tutores acompanham o ritmo dos pets.
Uma reportagem exibida pelo Fantástico, no domingo (12 de julho), mostra que a sofisticação também chegou à alimentação. Restaurantes especializados oferecem cardápios preparados por chefs internacionais, inspirados na culinária francesa. Entre as opções estão pratos como tartar de atum, vendido por cerca de R$ 70, além de sobremesas, como petit gateau de iogurte, produzidas sem sal e sem açúcar para atender às necessidades dos animais.
Para quem deseja prolongar a experiência, hotéis disponibilizam cabanas de luxo onde os cães passam fins de semana cercados de conforto e atendimento personalizado.
O avanço desse segmento é refletido pelos números. Nos últimos dez anos, o mercado pet chinês triplicou de tamanho e atualmente movimenta cerca de R$ 240 bilhões por ano, valor equivalente a aproximadamente três vezes o mercado brasileiro.
A expansão do setor também impulsionou novos serviços. Veterinários passaram a ser altamente valorizados, enquanto tratamentos como acupuntura vêm sendo utilizados para auxiliar na recuperação de animais com lesões graves. Há ainda escolas particulares voltadas aos pets, onde eles podem desenvolver habilidades como ouvir piano e aprender a conviver melhor com outros animais.
Por trás desse crescimento está uma importante transformação demográfica. Com melhores condições de vida e novas prioridades, muitos jovens chineses optam por permanecer solteiros e adiam ou abandonam o plano de ter filhos. Em vez disso, dedicam tempo, atenção e recursos financeiros aos animais de estimação.
Nas áreas urbanas da China, o número de pets já supera o de bebês, reforçando essa mudança no perfil das famílias.
O tutor Eric representa bem essa realidade. Ele investe aproximadamente R$ 4 mil por mês em seu cachorro, que também trabalha como modelo. Para ele, a decisão faz sentido. "Consigo cuidar do meu cachorro e protegê-lo dentro de casa. Já um filho uma hora vai ter que ser independente e encarar o mundo", afirma o homem ao Fantástico.
Apesar da forte valorização dos animais nas grandes cidades, o país ainda apresenta contrastes marcantes. Em regiões do interior, como a província de Yulin, permanece a tradição do consumo de carne de cachorro. Em muitos casos, essa prática é alimentada pelo comércio ilegal de animais roubados, já que não existe uma legislação federal que proíba esse tipo de consumo.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



