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Pit-bull, rotweiller e pastor alemão são raças perigosas?

Adestrador alerta que estigmatizar determinadas raças pode desviar o foco da posse responsável

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Imagem gerada por IA

A ideia de que existem raças de cães naturalmente perigosas continua alimentando debates entre especialistas, tutores e amantes dos animais. No entanto, um adestrador canino voltou a chamar atenção para um ponto considerado essencial por profissionais da área: o comportamento de um cachorro é resultado de diversos fatores, e não apenas da genética.

O renomado adestrador mexicano Cesar Millan, que também é apresentador de TV e escritor sobre o tema, explica atribuir a agressividade exclusivamente à raça pode reforçar preconceitos e dificultar uma discussão mais ampla sobre a criação, a educação e a socialização dos animais. Para ele, "o comportamento de um cão depende de múltiplos fatores, incluindo a forma como ele é criado, o ambiente em que vive, suas experiências desde filhote e até suas características individuais".

O treinador afirma, em conteúdos divulgados em suas redes sociais, que cães submetidos a restrições excessivas desde os primeiros meses de vida podem desenvolver medo, insegurança e dificuldades para lidar com situações do cotidiano. Na avaliação dele, limitar o contato com pessoas, outros animais e diferentes ambientes reduz as oportunidades de aprendizado e pode comprometer o equilíbrio emocional do animal.

Em sua análise, medidas criadas para aumentar a segurança podem, em alguns casos, gerar o efeito contrário ao esperado quando impedem uma socialização adequada. O especialista resume esse argumento ao afirmar que elas acabam produzindo "cães com mais medo, não com mais segurança".

O papel dos tutores

Cesar Millan destaca que a educação oferecida pelos tutores exerce influência muito maior do que a fama de determinada raça. O modo como o cachorro é apresentado ao mundo, treinado e estimulado ao longo da vida tem impacto direto em sua forma de reagir às diferentes situações.

Também não há consenso científico que permita classificar uma raça como naturalmente agressiva. Embora cães maiores possam causar ferimentos mais graves em um eventual ataque devido à força física, isso não significa que sejam mais propensos à agressividade.

Portanto, especialistas defendem uma avaliação individual de cada animal em vez de julgamentos baseados apenas na raça.

Socialização e treinamento

O treinador mexicano ressalta que permitir que o cão explore ambientes variados, conheça pessoas e outros animais de maneira segura e receba orientação adequada favorece um comportamento mais equilibrado.

Quando necessário, o acompanhamento de profissionais especializados pode ajudar tanto na prevenção quanto na correção de comportamentos indesejados.

Cesar Milan finaliza destacando que o bem-estar e o comportamento dos cães estão muito mais relacionados à rotina, ao manejo e à responsabilidade dos tutores do que à aparência ou à raça do animal.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.