Metade dos cães e gatos está acima do peso, e só reduzir a comida não resolve; entenda
Estudo mostra que a obesidade em animais de estimação depende também dos hábitos da família, do comportamento dos pets e da relação com seus tutores

A obesidade já afeta cerca de metade dos cães e gatos adultos em diferentes regiões do mundo e vem preocupando veterinários por causa do impacto direto na saúde dos animais. Embora muitos tutores acreditem que basta oferecer menos comida para resolver o problema, uma nova revisão científica indica que essa estratégia, sozinha, raramente funciona.
Pesquisadoras da Universidade de Sydney, na Austrália, analisaram estudos recentes sobre obesidade em animais de estimação e concluíram que o sucesso do tratamento depende não apenas da alimentação, mas também da rotina da casa, do comportamento dos pets e da forma como os tutores lidam com eles.
Os resultados foram publicados na revista científica Animals.
Excesso de peso vai além da aparência
Segundo a revisão, o sobrepeso e a obesidade estão entre os diagnósticos mais frequentes nas clínicas veterinárias. O excesso de gordura corporal aumenta o risco de diabetes, doenças cardíacas, dores nas articulações e ainda pode reduzir a expectativa de vida dos animais.
Apesar disso, poucos tutores procuram atendimento por suspeitarem que seus cães ou gatos estejam acima do peso. Na maioria das vezes, é o próprio veterinário quem identifica o problema durante consultas de rotina.
Por que as dietas fracassam?
Os pesquisadores observaram que muitos programas de emagrecimento apresentam altos índices de abandono. Em alguns casos analisados, mais da metade dos cães voltou a ganhar peso durante o próprio tratamento.
A explicação, segundo as cientistas, é que os planos costumam focar apenas na redução das calorias, sem considerar fatores comportamentais e emocionais que influenciam diretamente a alimentação dos animais.
Outro desafio é que muitos tutores não percebem que seus pets estão acima do peso. Esse fenômeno, chamado de "cegueira em relação ao peso", faz com que a condição seja subestimada e o tratamento acabe sendo adiado.
Uma pesquisa incluída na revisão mostrou que a maioria das pessoas avaliou de forma incorreta a condição corporal de cães em fotografias e uma parcela significativa também subestimou o peso do próprio animal.
Comportamento dos tutores
O estudo destaca que alguns animais aprendem rapidamente que insistir por comida gera recompensa. Sempre que recebem petiscos ou restos de refeições após pedir com insistência, esse comportamento tende a se repetir.
Quando o tutor decide interromper essa prática, é comum que o cão intensifique os pedidos por comida durante um período. Esse comportamento faz com que muitas pessoas acabem cedendo novamente, dificultando o controle do peso.
A revisão também identificou fatores associados ao maior risco de obesidade, como animais muito motivados por comida, determinadas raças, estilos de vida sedentários e até mesmo o perfil dos próprios tutores. Cães que vivem com pessoas acima do peso apresentaram probabilidade significativamente maior de desenvolver obesidade.
O que os especialistas recomendam
As autoras defendem uma abordagem mais ampla para controlar o peso dos animais. Entre as principais recomendações estão pesar cães e gatos em todas as consultas veterinárias, registrar toda a alimentação oferecida, incluindo petiscos e sobras, e estimular comportamentos naturais por meio de brinquedos interativos e atividades de busca por alimento.
Outra orientação é evitar oferecer comida enquanto a família faz as refeições. Em vez disso, os pesquisadores sugerem entregar ao cão um brinquedo apropriado ou um item para mastigar antes de todos se sentarem à mesa, reduzindo a associação entre o momento das refeições e o recebimento de alimentos.
As cientistas ressaltam ainda que são necessários mais estudos para identificar quais estratégias funcionam melhor no dia a dia das famílias.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



