Com as frequentes ondas de calor que atingem não só Minas Gerais, mas todo o Brasil, os tutores de cães de “focinho curto” precisam redobrar a atenção. Raças como Pugs, Bulldogs Franceses, Bulldogs Ingleses e Shih Tzus têm uma anatomia craniana compacta, característica conhecida tecnicamente como braquicefalia.
Esses tipos de cães sofrem com a
O principal desafio dessas raças é a refrigeração. Enquanto os cães perdem calor por meio da respiração ofegante, o focinho encurtado dos braquicefálicos têm vias aéreas estreitas e cornetos nasais “apertados”, o que compromete a
Conforme explicam os manuais de medicina interna da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), que também monitora espécies braquicefálicas como os gatos Persas, o esforço contínuo para respirar pode causar o colapso da laringe e edema pulmonar. “Em dias quentes e secos, o ar não resfria o suficiente antes de chegar aos pulmões, elevando a temperatura interna do cão a níveis perigosos”, destacam as diretrizes de bem-estar da entidade.
Para muitos animais, uma solução definitiva pode ser a cirurgia de correção de narinas (estenosadas) e do palato mole alongado. Segundo o médico veterinário cirurgião, Marco Antônio Gioso, a intervenção precoce muda drasticamente a qualidade de vida do pet.
“Muitos tutores acham que o ronco e o cansaço excessivo são ‘normais’ da raça, mas na verdade são sinais de sufocamento crônico. A plástica nasal amplia a entrada de ar, reduz o esforço cardíaco e permite que o animal suporte melhor o clima tropical”, afirma o especialista em seus protocolos de cirurgia respiratória.
Além da intervenção médica, o manejo ambiental entra como a principal ferramenta de prevenção contra a hipertermia. O uso de ar-condicionado, tapetes gelados e a restrição total de exercícios em horários de pico de sol são medidas obrigatórias. E um importante lembrete aos tutores: um cão braquicefálico nunca deve ser deixado em ambientes fechados sem ventilação, como carros ou áreas de serviço sem circulação de ar, onde o superaquecimento ocorre de forma fulminante.
A Itatiaia preparou um guia de sobrevivência para braquicefálicos no verão mineiro:
Passeios em horários seguros
Caminhadas apenas antes das 8h ou após as 19h. O asfalto quente não apenas queima as patas, mas irradia calor diretamente para a barriga do cão, acelerando o superaquecimento.
Sinais de alerta
Língua arroxeada, salivação excessiva e respiração muito ruidosa são sinais de hipóxia. Leve o animal para um local frio e procure um veterinário imediatamente.
Uso de peitorais
Evite coleiras de pescoço, que pressionam a traqueia já comprometida. O peitoral em formato de H é o mais indicado.
Hidratação e resfriamento
Ofereça água fresca e pedras de gelo. Em caso de calor extremo, você pode molhar as patas e o abdômen do cão com água em temperatura ambiente (nunca gelada demais para evitar choque térmico).
Controle de peso
A obesidade é o pior inimigo do braquicefálico. O excesso de gordura no pescoço e tórax dificulta ainda mais a expansão pulmonar e a perda de calor.