Carnaval: fantasiar o pet não é prejudicial, mas exige atenção ao conforto

Além da fantasia, clima, tempo de exposição ao barulho e à aglomeração também devem ser pontos de atenção dos tutores

A orientação é que as roupinhas sejam leves, confortáveis e permitam a regulação térmica do corpo, que é o ponto crítico em dias quentes

Quem pula carnaval já deve ter visto animais de estimação fantasiados e blocos pet friendly ou nas redes sociais. Mas o que parece apenas inocente e divertido, pode não ser confortável ou seguro para cães.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) alerta que fantasias não podem restringir movimentos, visão, audição ou respiração, nem conter peças pequenas que possam ser engolidas. A orientação é que as roupinhas sejam leves, confortáveis e permitam a regulação térmica do corpo, que é o ponto crítico em dias quentes.

O tempo de uso também deve ser limitado. O médico-veterinário Marcelo Quinzani explica que o uso prolongado pode provocar “superaquecimento, irritações cutâneas e aumento do estresse”, principalmente em animais braquicefálicos, como pugs e buldogues, pois eles já sofrem com uma dificuldade respiratória natural.

Respeitar sinais corporais do pet também é essencial para prevenir estresse, de acordo com o especialista. A fantasia só é aceitável quando o animal tolera bem o acessório. Se o pet demonstra incômodo, tenta retirar a roupa ou muda de comportamento, a recomendação é remover imediatamente.

Ambientes típicos da folia, com calor intenso, muita gente e barulho podem representar risco direto à saúde dos pets. O CRMV-SP orienta que “os tutores devem priorizar o conforto e a segurança do animal, evitando situações de estresse térmico e sensorial”.

Além da saúde física, especialistas do órgão afirmam, em diretrizes de bem-estar, que alterações que impeçam a expressão de comportamentos naturais ou a comunicação corporal podem gerar ansiedade. “O bem-estar animal depende da possibilidade de expressar comportamentos típicos da espécie”, destaca a entidade.

Isso não significa que os pets precisam ficar fora da festa. Quando o ambiente é minimamente controlado, com sombra, água fresca e estímulos moderados, alguns animais habituados a passeios podem participar com segurança. Ainda assim, veterinários concordam que o limite deve ser sempre o conforto do animal, não a estética da fantasia.

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A Itatiaia listou o que o tutor deve avaliar antes de fantasiar o pet no carnaval:

  • Fantasias não devem restringir respiração, visão, audição ou mobilidade;.
  • Sinais de incômodo indicam que a roupa deve ser retirada imediatamente;
  • Uso prolongado pode causar superaquecimento e irritações;
  • O bem-estar exige que o animal mantenha comportamentos naturais;
  • Ambientes com sombra, água e pouco ruído reduzem riscos durante a folia.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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