Risco geológico volta a ser tema de atenção durante o período chuvoso em Ouro Preto

Município concentra áreas mapeadas e mantém monitoramento diante da combinação entre relevo, ocupação urbana e chuvas

As chuvas registradas na Região dos Inconfidentes recolocam em evidência o risco geológico, termo recorrente em comunicados da Defesa Civil e em alertas emitidos durante o período chuvoso. O conceito está relacionado a áreas onde processos naturais do solo e das encostas podem provocar ocorrências como deslizamentos de terra, escorregamentos, quedas de barreira e erosões, com potencial de atingir pessoas, residências e estruturas urbanas.

O risco geológico resulta da interação entre fatores naturais e a ocupação humana. Chuvas intensas aumentam a umidade do solo, reduzem a resistência dos materiais e podem provocar instabilidade em encostas. Quando esse processo ocorre em locais habitados, o fenômeno natural passa a representar ameaça à integridade física da população e ao patrimônio.

Ouro Preto está inserida em um contexto que exige atenção permanente. O município foi implantado em área de relevo acidentado, com morros, encostas e vales. A ocupação urbana ocorreu ao longo de séculos, em períodos nos quais não havia critérios técnicos voltados ao planejamento territorial e à prevenção de riscos. Com o crescimento da cidade, residências e edificações passaram a ocupar áreas próximas a taludes, encostas íngremes e cursos d’água.

De acordo com levantamentos do Serviço Geológico do Brasil, Ouro Preto concentra o maior número de áreas de risco geológico mapeadas no país. São mais de 300 pontos identificados no território municipal, muitos classificados como de risco alto ou muito alto. Esses dados indicam a necessidade de acompanhamento contínuo, sobretudo em períodos de maior volume de chuvas.

O mapeamento das áreas de risco envolve estudos técnicos que consideram aspectos da geologia, da geotecnia, da hidrologia e do relevo. A partir dessas análises, são elaborados mapas e diagnósticos que subsidiam ações de prevenção e resposta, como monitoramento de encostas, interdições preventivas, remoção de famílias, obras emergenciais e definição de diretrizes para o uso do solo.

As autoridades também relacionam o aumento da frequência de chuvas intensas em curtos intervalos às mudanças climáticas, fator que amplia os desafios para municípios com características semelhantes às de Ouro Preto. Esse cenário exige integração entre órgãos técnicos, planejamento urbano e comunicação com a população.

A Defesa Civil orienta moradores de áreas mapeadas a observar sinais que possam indicar instabilidade, como trincas em paredes, inclinação de postes ou árvores, ruídos no solo e surgimento de água barrenta. Em situações de risco, o contato imediato com os canais oficiais pode contribuir para a adoção de medidas preventivas.

O entendimento sobre o risco geológico integra as estratégias de proteção à população e reforça a importância do acompanhamento técnico permanente em um município marcado pela combinação entre relevo, ocupação urbana e regime de chuvas.

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Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.

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