IFMG Ouro Preto realiza diplomação póstuma do ex-aluno Hélcio Pereira Fortes

Estudante assassinado durante a ditadura militar recebe diploma simbólico em cerimônia considerada inédita no país

O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Ouro Preto realizou, na tarde desta quinta-feira (5), a cerimônia de diplomação póstuma do ex-aluno Hélcio Pereira Fortes, estudante da antiga Escola Técnica Federal de Ouro Preto morto durante a ditadura militar. O diploma simbólico foi entregue aos familiares de Hélcio em um ato marcado por discursos de homenagem, memória histórica e defesa da democracia.

A cerimônia foi organizada pelo Grêmio Estudantil do IFMG em parceria com a União Colegial de Minas Gerais (UCMG) e reuniu autoridades, representantes de movimentos estudantis e lideranças políticas. Entre os presentes estavam o irmão de Hélcio, Délcio Fortes, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, a vice-reitora da Universidade Federal de Ouro Preto, professora Roberta Eliana Santos Fróes; a dirigente do PCdoB e ex-deputada federal Jô Moraes, além do poeta e político Pedro Tierra, militante da resistência à ditadura militar. Também participaram parlamentares, representantes do IFMG e integrantes de entidades estudantis.

Segundo os organizadores, o ato representa um gesto de reparação histórica e de reconhecimento institucional a um estudante que teve sua trajetória interrompida pela repressão política. A iniciativa também é apontada como a primeira diplomação póstuma voltada a um estudante secundarista realizada no Brasil.

Natural de Ouro Preto, Hélcio Pereira Fortes nasceu em 1948 e atuou no movimento estudantil ainda jovem. Aos 15 anos, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, após o golpe militar de 1964, passou a atuar na reorganização da militância política na cidade. Com o avanço da repressão, viveu na clandestinidade e se envolveu em movimentos ligados à causa operária e a organizações de esquerda.

Posteriormente, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN) e chegou a atuar na coordenação da organização. Em janeiro de 1972, foi preso por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro e transferido para São Paulo. De acordo com investigações e depoimentos reunidos posteriormente, Hélcio morreu sob tortura durante o período em que esteve sob custódia do regime.

A versão oficial divulgada à época apontava que o estudante teria morrido após um confronto com agentes de segurança, narrativa contestada por testemunhos e análises posteriores de documentos e laudos periciais. Seus restos mortais foram posteriormente trasladados para Ouro Preto, onde foram enterrados na Igreja São José.

Durante a cerimônia desta quinta-feira, familiares e autoridades destacaram a importância do reconhecimento institucional da trajetória do estudante e da preservação da memória histórica sobre as violações de direitos humanos ocorridas no período da ditadura.

Leia também

Sabrine Varjão é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto. Natural de São Paulo (SP), se apaixonou pela comunicação na Região dos Inconfidentes. Suas principais áreas de interesse são política, cultura e esportes.

Ouvindo...