Câmara Municipal de Ouro Preto registra embate após requerimento sobre asfaltamento e acusações de misoginia

Sessão foi marcada por troca de críticas entre parlamentares e cobrança por informações atualizadas sobre a obra.

A 8ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Ouro Preto, realizada na terça-feira (3), foi marcada por um acirrado debate em torno do Requerimento nº 55/2026, de autoria da vereadora Lilian França. A proposição solicita ao Executivo informações atualizadas sobre o andamento do projeto de asfaltamento do trecho que liga a comunidade de Serra do Siqueira, passando por Tabuões, até o bairro Alto do Beleza, em Cachoeira do Campo.

O pedido retoma o Requerimento nº 106/2025 e questiona se os levantamentos de custos já foram concluídos, se há definição da fonte de recursos, previsão de processo licitatório e prazo estimado para execução da obra. Segundo a parlamentar, a demanda partiu de moradores das comunidades envolvidas, que aguardam melhorias estruturais há anos.

Durante a defesa da matéria, Lilian afirmou que o pedido foi motivado por audiência pública e por cobranças feitas por integrantes da comunidade de Tabuões. “A gente busca a agilidade, visto que alguns trechos ali ficam até difíceis das pessoas se locomoverem”, declarou, pedindo apoio dos demais vereadores.

O vereador Alex Brito reagiu de forma contundente. Ele afirmou que a obra já estaria encaminhada, com recursos provenientes de acordo com o Ministério Público e complementação viabilizada junto ao deputado federal, após articulação dele e do vereador Renato Zoroastro.

Segundo Alex, o requerimento representaria desconsideração ao trabalho já realizado. “É uma falta de respeito com o meu mandato”, afirmou, alegando que a comunidade teria sido informada sobre os avanços e que o início das obras estaria previsto para o segundo semestre.

O vereador Ricardo Gringo ponderou que a cobrança partiu de moradores organizados em grupo comunitário e defendeu maior transparência do Executivo para evitar desencontros de informação. Já o vereador Naércio Ferreira ressaltou a necessidade de “bom senso e respeito” entre os parlamentares quanto às pautas acompanhadas por cada mandato.

O vereador Kuruzu mencionou a existência de um acordo informal entre parlamentares para evitar sobreposição de atuação em determinadas comunidades, defendendo que isso seria uma questão de “civilidade” e organização política.

A discussão, no entanto, ganhou novos contornos quando Lilian França afirmou que estava sendo desrespeitada e citou a Lei nº 14.192/2021, que trata da violência política de gênero. A vereadora declarou que comentários feitos em plenário configurariam desrespeito ao seu mandato feminino.

Alex Brito rebateu as acusações, negando qualquer prática de misoginia e afirmando que estava sendo cerceado em seu direito de manifestação. “Nós não podemos falar nada aqui dentro dessa Câmara porque é misoginia?”, questionou, dizendo que sempre respeitou as mulheres da Casa.

Kuruzu voltou à tribuna e fez críticas diretas à postura da colega, mencionando denúncias de tratamento inadequado a servidores. O clima ficou ainda mais tenso, com troca de acusações sobre conduta dentro e fora do plenário.

Ao encerrar a discussão, o presidente da Casa, Vantuir, afirmou que divergências políticas são naturais, mas alertou para a necessidade de evitar vitimizações e acusações generalizadas. Ele orientou que eventuais denúncias de preconceito ou irregularidades sejam formalizadas junto à Comissão de Ética.

“O plenário é lugar de discussão política. Machismo e preconceito não podem existir, mas também não podemos transformar todo embate político em outro tipo de acusação”, afirmou.

Apesar do impasse, o Requerimento nº 55/2026 foi aprovado por 13 votos favoráveis, com voto contrário do vereador Alex Brito.

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Bruna Truocchio
Bruna Truocchio
Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.

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