Copa do Mundo: regras de última hora para viajar com o pet e não ser barrado
Confira a validade do atestado de saúde e do CVI para voos internacionais

Junho chegou, as malas já estão abertas sobre a cama e a Copa do Mundo está batendo à porta. Com os aeroportos lotados de torcedores rumo aos países-sede na América do Norte, as famílias que decidiram levar seus cães e gatos na viagem precisam de atenção redobrada: na reta final para o embarque, a margem para erros burocráticos cai a zero.
Diferente do passaporte humano, que tem validade de dez anos, a documentação sanitária dos animais possui "prazo de validade" curtíssimo. Chegar ao balcão da companhia aérea com um carimbo vencido ou uma vacina fora do padrão internacional acaba em retenção imediata do animal no Brasil ou na repatriação ao tentar desembarcar no exterior.
O 'Passaporte Pet' e o alerta para os prazos
Para que o seu cachorro ou gato seja autorizado a cruzar as fronteiras, o tutor precisa ter em mãos o Certificado Veterinário Internacional (CVI), o documento oficial emitido gratuitamente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) por meio do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro).
Como as regras variam para cada país (os Estados Unidos, por exemplo, exigem microchip internacional, cães com mais de seis meses e preenchimento prévio do formulário do CDC), o tutor precisa conferir os detalhes até o último minuto. Em suas diretrizes oficiais, o MAPA é categórico sobre a quem pertence esse dever legal:
"O Certificado Veterinário Internacional (CVI) é o documento oficial exigido pelas autoridades sanitárias dos países de destino para atestar as condições de saúde de cães e gatos. O cumprimento dos requisitos sanitários do país de destino é de inteira responsabilidade do proprietário do animal."
Se você já emitiu o CVI via portal Gov.br, é fundamental checar a data. Para a grande maioria dos destinos, o certificado tem uma validade que varia de 10 a 60 dias corridos a partir da data de emissão.
Atestado de saúde e os limites do pet
Para o MAPA emitir o CVI ou chancelar o embarque, o animal precisa passar por um check-up clínico poucos dias antes do voo. É neste momento que o médico-veterinário avalia se o pet tem, de fato, condições cardíacas e psicológicas para suportar a pressurização da cabine ou do porão da aeronave.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) tem resoluções rígidas que regulamentam a atuação clínica nessas viagens. Sobre a assinatura do atestado de saúde, o conselho estabelece a obrigatoriedade da consulta presencial e minuciosa:
"A emissão de atestado de saúde de pequenos animais deve ser realizada após criterioso exame clínico, sendo o médico-veterinário o único profissional legalmente habilitado para atestar as condições de saúde do animal."
Para ajudar os torcedores a evitarem o cancelamento do voo na reta final e garantirem a segurança dos animais, a Itatiaia listou o checklist definitivo para as vésperas do embarque:
- Validade do atestado vs. CVI: fique atento, pois o atestado de saúde assinado pelo seu veterinário particular costuma ter validade de apenas 10 dias para a emissão do CVI. Não vá ao aeroporto com o atestado vencido.
- Caixa de transporte rigorosa: a fiscalização das companhias aéreas é implacável. O kennel (caixa) deve ter ventilação adequada, trava de segurança dupla e tamanho suficiente para que o animal consiga ficar de pé e dar uma volta completa sobre si mesmo. Se for pequeno demais, o embarque é negado na hora.
- Atenção aos cães braquicefálicos: raças de focinho achatado (como Buldogues Franceses e Pugs) sofrem com o estresse térmico e a altitude. Quase todas as companhias proíbem o transporte no porão. Se o voo for na cabine, garanta que o animal não esteja ofegante antes de entrar no avião.
- Adesivo de "Carga Viva": caso o animal viaje no compartimento de cargas, certifique-se no balcão da companhia aérea de que o kennel recebeu os adesivos de sinalização adequados e que a água fixada na porta da caixa está abastecida para as horas de voo.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



