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Cães mudam a rotina de onças-pardas no interior de São Paulo; entenda

Pesquisa mostra que a presença de cães domésticos faz esses grandes felinos evitarem áreas protegidas por vários dias

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Imagem ilustrativa • Unsplash

A presença de cães domésticos soltos em áreas próximas a unidades de conservação pode estar alterando significativamente o comportamento das onças-pardas no interior de São Paulo. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que identificou que os felinos evitam retornar a locais por onde cães passaram recentemente, mesmo sendo um dos principais predadores da fauna brasileira.

A pesquisa foi conduzida na Estação Ecológica de Santa Bárbara e na Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara, no interior paulista. Com o auxílio de armadilhas fotográficas, os cientistas acompanharam os deslocamentos das onças-pardas e dos cães que circulam livremente pela região.

Os resultados mostraram que, após a passagem de um cão, as onças demoram, em média, 74 horas para voltar ao mesmo local. Em muitos casos, o uso normal dessas áreas só é retomado entre cinco e seis dias depois. Segundo os pesquisadores, esse comportamento ocorre porque os felinos tendem a associar os cães tanto ao risco de encontrar matilhas quanto à presença de seres humanos.

Os autores explicam que esse fenômeno é conhecido como "paisagem do medo". Mesmo sem um confronto direto, a simples percepção de uma ameaça é suficiente para modificar a rotina dos animais silvestres, alterando seus deslocamentos e até seus horários de atividade.

Um dos pontos destacados pela pesquisa é que os cães observados não eram animais abandonados. Trata-se, em sua maioria, de cães rurais que possuem tutores, alimentação e abrigo, mas passam boa parte do dia soltos, circulando por propriedades vizinhas e entrando em áreas naturais protegidas.

Impactos na fauna geral

Os pesquisadores alertam que a circulação de cães em unidades de conservação não afeta apenas as onças-pardas. Esses animais também podem transmitir doenças para a fauna silvestre, competir por alimento, perseguir outras espécies e provocar mudanças no equilíbrio ecológico.

Como forma de reduzir esses impactos, o estudo defende medidas de manejo responsável, como castração, vacinação, identificação por microchip e maior controle sobre a circulação dos cães em áreas rurais próximas às reservas ambientais.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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