Trump indica nova guerra em discurso de abertura do ‘Conselho da Paz’

Presidente fez ameaças ao Irã durante fala que inaugurou primeira reunião do grupo criado pelo americano

Trump faz fala de abertura durante reunião do ‘Conselho da Paz’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta quinta-feira (19) o discurso de abertura do “Conselho da Paz”, por ele presidido. Ele disse que saberá em dez dias se é possível chegar a um acordo com o Irã, e que “coisas ruins acontecerão” em caso de negativa.

Trump destacou que “parou oito guerras” desde que assumiu o cargo em sua nova gestão e que o fim de “mais uma guerra” está a caminho, em possível referência aos encontros trilaterais realizados com representantes da Ucrânia e da Rússia.

“O Irã é um ponto crítico neste momento. Eles estão se reunindo e têm um bom relacionamento com os representantes do Irã e, você sabe, boas conversas estão sendo realizadas. Ao longo dos anos, ficou comprovado que não é fácil chegar a um acordo significativo com o Irã”, disse durante o discurso.

O “Conselho da Paz” foi formado depois que o governo Trump, em parceria com o Catar e o Egito, negociou um cessar-fogo em outubro para interromper dois anos de guerra devastadora em Gaza.

Os Estados Unidos afirmam que o plano agora entrou na segunda fase, com foco no desarmamento do Hamas, o grupo militante palestino cujo ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023 desenfreou a ofensiva massiva que o país israelense faz contra o território.

Investimentos no ‘Conselho da Paz’

O presidente Donald Trump falou em investimento de US$ 10 bilhões para o “Conselho da Paz”, instituição inédita e sem identidade definida, focada inicialmente em Gaza, que está sendo lançada justamente quando ele ameaça o Irã com guerra.

Enquanto aviões de guerra e porta-aviões americanos se dirigiam para o Irã, a mando dos EUA, Trump recebia cerca de duas dezenas de aliados de todo o mundo no reluzente prédio em Washington do antigo Instituto da Paz, que foi reformado e renomeado em homenagem ao republicano de 79 anos.

Trump, que reduziu drasticamente a ajuda externa, afirmou que os Estados Unidos contribuíriam com US$ 10 bilhões para a iniciativa, cujos objetivos incluem a reconstrução de Gaza, reduzida a escombros por dois anos de guerra entre o Hamas e Israel.

“Juntos, podemos realizar o sonho de trazer harmonia duradoura a uma região atormentada por séculos de guerra e sofrimento”, disse Trump, que já havia falado, de forma improvável, sobre a construção de resorts turísticos em Gaza.

Trump não explicou exatamente para onde o dinheiro seria destinado, e o “Conselho da Paz” tem sido alvo de amplas críticas pela natureza opaca. Trump terá poder de veto sobre o “Conselho da Paz” e poderá permanecer como presidente mesmo após deixar a função, enquanto os países que desejarem, em vez de desfrutar de um mandato de dois anos, precisarão pagar US$ 1 bilhão.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

Leia também

Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

Ouvindo...