O escândalo de tráfico sexual envolvendo o bilionário
Fundador da agência MC2 em Miami — empreendimento que contava com o financiamento de Epstein —, Brunel visitou a unidade da Mega Model em Brasília na época. Um registro da visita chegou a ser publicado nas redes sociais da agência com agradecimentos pelo “casting” que levaria modelos para Nova York. Questionada sobre o encontro, a agência afirmou que a visita foi breve, sem agendamento e durou apenas 15 minutos, garantindo que desconhecia o histórico do empresário e que nenhuma modelo foi efetivamente recrutada ou abordada durante a ocasião.
A atuação de Brunel já era alvo de denúncias graves. Em 2019, uma reportagem do jornal The Guardian revelou que o agente utilizava vistos de modelos para trazer adolescentes de diversos países aos Estados Unidos com o propósito de exploração sexual. Relatos de agressões sexuais cometidas por ele remontam às décadas de 1980 e 1990. Assim como seu aliado Epstein, Brunel teve um fim trágico e sem julgamento final: foi encontrado morto em sua cela em Paris, em 2022, enquanto aguardava processo por estupro de vulneráveis.
As conexões brasileiras, contudo, parecem ir além da figura do agente francês.
O caso ganhou novo fôlego na última sexta-feira (30), quando o governo americano liberou um volume massivo de dados: três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos. A divulgação atende a uma determinação legal do Congresso dos EUA, assinada pelo ex-presidente Donald Trump, que previa a publicidade total dos arquivos. Com a análise minuciosa, espera-se que novos detalhes sobre o envolvimento de figuras e grupos brasileiros no esquema de Epstein venham à tona nas próximas semanas.