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Protestos na França: premiê acusa extrema-esquerda de violência e diz que toque de recolher funcionou

Após manifestações levarem 500 mil às ruas contra o custo de vida no último fim de semana, autoridades francesas reforçam segurança e estendem regras de exceção na capital e outras cidades

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O primeiro-ministro francês e ex-ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu
O primeiro-ministro francês e ex-ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu • Ludovic Maris/Pool/AFP

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, acusou, nesta terça-feira (20), grupos radicais ligados a extrema-esquerda de terem liderado um "plano de insurreição" — o que, segundo ele, levou a tumultos violentos no último fim de semana, marcado por protestos em todo o país contra o elevado custo de vida e desigualdade social.

O premiê afirmou, ainda, que o toque de recolher imposto na segunda-feira (19), nas maiores cidades francesas "ajudou a manter a paz" durante a noite. As declarações foram feitas a parlamentares.

Durante a sessão, Lecornu condenou o "planejamento, em determinados locais, de um plano insurrecional liderado por grupos de extrema-esquerda e setores radiciais de esquerda".

Ele acrescentou que as autoridades não tolerariam que esses grupos "marchassem até o Eliseu ou Matignon", em referência aos escritórios e residências oficiais do presidente e do primeiro-ministro em Paris.

Além disso, Lecornu afirmou que fará uma mobilização policial "em massa" para protestos marcados para o próximo final de semana, e que alguns membros do Exército participarão da segurança da manifestação.

No último fim de semana, entre os dias 17 e 18 de outubro, cerca de 500 mil pessoas tomaram as ruas da França em protestos que são registrados há mais de um mês no país.

Toque de recolher

Ainda nesta terça-feira (20), autoridades francesas decretaram, pelo segundo dia consecutivo, um toque de recolher das 23h00 às 6h00 na Place da República e na região comercial de Les Halles. As áreas foram os epicentros dos protestos ocorridos no último fim de semana.

A Polícia de Paris também proibiu qualquer concentração não autorizada a partir das 20h desta terça e até a madrugada da próxima quarta-feira (21) em áreas estratégicas, como a Champs-Élysées, estações ferroviárias e as sedes da Presidência francesa e do Parlamento.

A medida já havia sido solicitada pelo primeiro-ministro na segunda-feira (19) e, na sequência, autoridades de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste francês, anunciaram que aplicariam o toque de recolher na data.

O que está acontecendo na França?

  • A onda inicial dos protestos na França começou no dia 17 de setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais. Rapidamente os atos foram marcados por forte repressão policial.
  • Com a enorme mobilização nacional, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis — além de denunciarem a violência de agentes de segurança.
  • No fim de semana dos dias 17 de 18 de outubro, o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. De acordo com o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas, sendo a maioria pacíficos.
  • Durante as manifestações, que em alguns momento tornaram-se atos violentos, uma pessoa morreu, mais de 500 policiais ficaram feridos e mais de 2 mil pessoas foram detidas.
  • Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão. Em vários locais, agentes foram flagrados agredindo pessoas com cassetetes.
  • O presidente da França, Emmanuel Macron, se pronunciou sobre os protestos, afirmando que "nada justifica" o que classificou de "violência desenfreada".
Manifestantes se reúnem durante um protesto de estudantes do ensino médio — parte de um movimento nacional sobre as condições de ensino — em Toulouse, em 6 de outubro de 2026. • Foto por ED JONES / AFP
Manifestantes se reúnem durante um protesto de estudantes do ensino médio — parte de um movimento nacional sobre as condições de ensino — em Toulouse, em 6 de outubro de 2026. • Foto por ED JONES / AFP
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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