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Bairros de Paris, na França, decretam toque de recolher pela 2ª noite consecutiva

Medida também foi aplicada em outras grandes cidades como Lyon e Marselha; novos protestos estão previstos para sábado (24) e governo francês prepara operação de segurança de grande escala

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'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França
'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França • SIMON WOHLFAHRT / AFP

Pela segunda noite consecutiva, um toque de recolher foi estipulado das 23h às 6h, no horário local, desta terça-feira (20) e quarta-feira (21), na Place da República e na região comercial de Les Halles, em Paris, na França. As áreas foram consideradas os epicentros dos protestos ocorridos no último fim de semana.

A polícia de Paris também proibiu qualquer concentração não autorizada das 20h desta terça-feira (20), até a madrugada de quarta-feira (21), em áreas estratégicas como a Champs-Élysées, estações ferroviárias e as sedes da Presidência francesa e do Parlamento.

O toque de recolher já havia sido aplicado nestas regiões na segunda-feira (19). De acordo com autoridades francesas, a medida ajudou a reestabelecer a ordem durante a noite e continuará em vigor pelo tempo que for considerada necessária.

As restrições não abrangem outras áreas atingidas pelos confrontos no dia 17 de outubro, como a avenida Champs-Élysées, os arredores da estação ferroviária Saint-Lazare e trechos da Rue de Turbigo, no centro da capital.

A França vem enfrentando uma enorme mobilização e onda de manifestações nas últimas semanas. Os protestos começaram pelo movimento estudantil, por melhores condições nos colégios espalhados pelo país. Em seguida, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis.

Toque de recolher em outras cidades

Em Lyon, uma das maiores cidades francesas, as autoridades também renovaram o toque de recolher no centro, das 21h às 6h. Segundo o governo local, não houve incidentes durante a noite de segunda-feira (19).

Marselha, segunda maior cidade do país, determinou um toque de recolher para menores de idade desacompanhados, com início na noite desta terça-feira (20).

Novos protestos previstos para sábado (24)

Sindicatos estudantis e grupos ligados ao movimento dos coletes amarelos, que protagonizou protestos contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019, convocaram uma nova jornada de manifestações para sábado (24).

Em resposta, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou, nesta terça-feira (20), que o governo prepara uma operação de segurança de grande escala.

O minsitro do Interior, Laurent Nuñez, também informou  que soldados da operação Sentinelle —  criada para combater o terrorismo e reforçar a segurança após os ataques do grupo Estado Islâmico em 2015 — passarão a proteger locais considerados sensíveis.

As declarações foram feitas à Assembleia Nacional, a Câmara baixa do Parlamento francês. Não foi indicado quantos agentes serão mobilizados.

Em Lyon, no sul da França, um manifestante, enrolado na bandeira do país, diante do escritório de Turismo em chamas • JEFF PACHOUD/AFP
Em Lyon, no sul da França, um manifestante, enrolado na bandeira do país, diante do escritório de Turismo em chamas • JEFF PACHOUD/AFP

Protestos na França

A onda inicial de protestos na França começou em setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.

Os alunos manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos).

Rapidamente, a mobilização se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade, a insuficiência de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços.

O governo francês alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes, como a defesa.

Manifestações em cidades como Paris, Lyon, Nantes e Estrasburgo registraram choques entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral:

No fim de semana dos dias 17 de 18 de outubro, o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. De acordo com o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas, sendo a maioria pacíficos.

Durante as manifestações, que em alguns momento tornaram-se atos violentos, uma pessoa morreu, mais de 500 policiais ficaram feridos e mais de 2 mil pessoas foram detidas.

Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão. Em vários locais, agentes foram flagrados agredindo pessoas com cassetetes.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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