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Primeiro-ministro da França pede toque de recolher em cidades-alvo de protestos

Sébastien Lecornu pediu que prefeitos imponham toque de recolher a partir da noites desta segunda-feira (19); país enfreta grande mobilização contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis, iniciada por manifestações estudantis nos arredores de Paris

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Nas fotos, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e protesto registrado na França em outubro de 2026 • Ludovic Maris/Pool/AFP l SEBASTIEN SALOM-GOMIS /AF

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou, nesta segunta-feira (19), ter solicitado a prefeitos de cidades, que estão registrando manifestações nas últimas semanas, que decretem toques de recolher por conta dos protestos. Para o premiê, a medida deve ser imposta já nesta noite.

Na cidade de Paris, a circulação está proibida na Place de la République e nas ruas ao redor do bairro de Les Halles das 22h desta segunda às 6h da próxima terça (20), no horário local (17h de segunda às 1h de terça, no horário de Brasília).

Autoridades de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste francês, também anunciaram que vão aplicar o toque de recolher. Os cidadãos não poderão circular pelas ruas entre as 20h00 (15h00 no horário de Brasília) e as 06h00 (01h00 no horário de Brasília) durante as próximas duas noites, por decisão das prefeituras locais.

A França vem enfrentando uma enorme mobilização e onda de manifestações nas últimas semanas. Os protestos começaram pelo movimento estudantil, por melhores condições nos colégios espalhados pelo país. Em seguida, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis.

Ainda nesta segunda-feira (19), o governo francês realizou uma reunião de emergência para decidir quais medidas devem ser tomadas para controlar a violência nas ruas. Neste fim de semana, o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. De acordo com o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas.

Durante as manifestações, que em alguns momento tornaram-se atos violentos, uma pessoa morreu, mais de 500 policiais ficaram feridos e mais de 2 mil pessoas foram detidas. Alguns dos protestos terminaram em saques a comércios e prédios incendiados.

O movimento se espalhou na Europa, com manifestações também sendo registradas na Albânia e Itália.

Macron se pronuncia sobre protestos

Presidente francês Emmanuel Macron fez pronunciamento na TV sobre protestos que atingem o país • LUDOVIC MARIN/AFP
Presidente francês Emmanuel Macron fez pronunciamento na TV sobre protestos que atingem o país • LUDOVIC MARIN/AFP

Um pronunciamento do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre os protestos no país, foi divulgado no domingo (18). Macron afirmou que "nada justifica" o que classificou de "violência desenfreada" registrada em manifstações no fim de semana.

"Esta noite, todos sentimos raiva e vergonha", disse Macron em pronunciamento na TV. Ele acrescentou que é preciso fazer uma distinção entre os manifestantes com "reivindicações legítimas" e "aqueles que destruíram, quebraram e saquearam".

Durante a fala, Macron prometeu "total transparência" sobre a resposta das forças de segurança aos protestos que terminaram em violência neste fim de semana, após críticas de que a preparação da polícia havia sido inadequada.

Ele ainda atribuiu a "violência desenfreada" a elementos insurrecionais de grupos radicais de extrema esquerda, acompanhados por numerosos criminosos":

"Quem saqueou terá de pagar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados", disse Macron.

Protestos na França

Em Lyon, no sul da França, um manifestante, enrolado na bandeira do país, diante do escritório de Turismo em chamas • JEFF PACHOUD/AFP
Em Lyon, no sul da França, um manifestante, enrolado na bandeira do país, diante do escritório de Turismo em chamas • JEFF PACHOUD/AFP

A onda inicial de protestos na França começou em setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.

Os alunos manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos).

Rapidamente, a mobilização se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade, a insuficiência de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços.

O governo francês alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes, como a defesa.

Manifestações em cidades como Paris, Lyon, Nantes e Estrasburgo registraram choques entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

Na semana passada, a ativista sueca Greta Thunberg participou de uma manifestação em frente a uma escola de ensino médio em Saint-Denis, cidade próxima a Paris.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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