Protestos na França: estudante de 15 anos tem mão arrancada ao pegar granada lançada por policiais
Jovem ficou ferido ao manipular o explosivo, mas não corre risco de vida, segundo o governo local; caso aconteceu durante onda de protestos que tomaram todo o país em que estudantes cobram melhorias em instituições

Um estudante de 15 anos teve a mão arrancada nesta segunda-feira (5) em Lens, no norte da França, durante protestos escolares que tomaram o país nos últimos dia. Cerca de 500 instituições de ensino estão total ou parcialmente fechadas, informou o Ministério da Educação.
A mão do estudante foi arrancada após ele pegar uma granada de efeito moral da polícia, que explodiu quando o jovem tentava arremessá-la de volta na direção dos agentes. O caso foi confirmado pelo governador do estado de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch:
"Lamento que tivemos um estudante de Ensino Médio que ficou gravemente ferido durante uma manifestação. Um estudante, de 15 anos, teve a mão arrancada. Felizmente, a vida desse estudante não está em risco. Nós o transferimos muito rapidamente para Lille, para um hospital que tinha condições de recebê-los. Mas, enfim, é um fato muito grave", afirmou o governador.
Segundo divulgado pelo jornal francês La Voix du Nord, o governo local abriu uma investigação sobre o caso. Até a última atualização desta reportagem, a polícia local não havia se manifestado de forma oficial sobre o incidente.
Crise estudantil na França
Os protestos liderados por estudantes e servidores públicos contra cortes de gastos no orçamento do governo e as condições precárias nas escolas acontecem desde o dia 17 de setembro.
Entretanto, a mobilização ganhou força na última semana, transformando-se em protestos nacionais marcados, em alguns locais, por episódios de violência envolvendo adolescentes e forças de segurança, que, por vezes, utilizaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os jovens.
Até o momento, mais de 5 mil pessoas, sendo 85% menores de idade, foram detidas desde o início do movimento. Nesta segunda-feira (5), o ministro da Educação, Edouard Geffray, informou que as aulas estão suspensas pois as condições de segurança não foram atendidas.
De acordo com Geffray, 24 escolas foram incendiadas e saqueadas. A expectativa é de que as aulas retornem de forma progressiva durante os próximos dias.
Os amplos protestos causaram uma crise política para o governo de Emmanuel Macron. A imprensa francesa afirmou que o presidente estaria "apavorado" com os protestos. Oficialmente, Macron reconhece que as reivindicações do movimento são legítimas, mas a violência, não.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



