Onda de protestos fecha 500 escolas e eleva tensão entre governo e estudantes na França
País enfrenta semanas de paralisações e episódios de violência contra cortes no orçamento e condições precárias de ensino; sindicatos convocam greve em apoio aos alunos

Cerca de 500 escolas em toda a França ficarão total ou parcialmente fechadas nesta segunda-feira (5), informou o Ministro da Educação francês. O país enfrenta, desde o dia 17 de setembro, protestos de estudantes e servidores públicos contra cortes de gastos no orçamento do governo e as condições precárias nas escolas.
O ministro, Edouard Geffray, informou que as aulas serão suspensas pois as condições de segurança não foram atendidas. Segundo ele, 24 escolas foram incendiadas e saqueadas desde o início do movimento, há três semanas.
Segundo os estudantes das escolas de ensino médio francesas, seus estudos estão sendo prejudicados pelo alto índice de faltas de professores, jornadas escolares excessivamente longas e instalações precárias, entre outras queixas.
Geffray afirmou que a expectativa é de que as aulas retornem de forma progressiva durante os próximos dias.
Histórico do protesto
O movimento começou em uma escola de Paris, em 17 de setembro, mas ganhou força na última semana, transformando-se em protestos nacionais marcados, em alguns locais, por episódios de violência envolvendo adolescentes e forças de segurança, que, por vezes, utilizaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os jovens.
Geffray alegou que ativistas, particularmente da extrema-esquerda, se infiltraram no movimento estudantil e tomaram o controle das mãos dos próprios estudantes. O ministro afirma ainda, que eles recorreram à violência extrema.
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"Claramente, isso representa um risco tanto para nossa equipe quanto para nossos alunos", afirmou ele, acrescentando que 78 funcionários da área de educação ficaram feridos, "algo que nunca vimos antes".
"Eles foram alvos deliberados por serem funcionários do sistema nacional de educação", sustentou Geffray.
Sindicatos, em apoio aos estudantes, convocaram também professores para uma greve, enquanto o governo do presidente Emmanuel Macron tentava conter os protestos, que se tornaram cada vez mais violentos. Manifestações organizadas por eles em apoio aos estudantes do ensino médio estão previstas para terça-feira (6).
Até o momento, mais de 5 mil pessoas, sendo 85% menores de idade, foram detidas desde o início do movimento. Críticos acusaram a polícia de utilizar táticas excessivamente violentas.
*Com AFP
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



