Protestos na França: prefeito de cidade próxima de Paris é atingido por gás ao participar de protesto de estudantes
Bally Bagyoko, prefeito de Saint-Denis, é uma das lideranças que vem participando dos protestos estudantis que acontecem desde setembro; vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o prefeito à frente de um grupo de estudantes e gritando aos policiais

O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, uma das cidades localizadas nos arredores de Paris, na França, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia em meio aos protestos estudantis que tomaram as ruas do país nos últimos duas.
Bagyoko estava na manifestação ocorrida na terça-feira (6) — data de maior mobilização, com organizadores do protesto apontando que 450 mil pessoas estiveram nas ruas — e precisou ser carregado para receber colírio nos olhos depois de ser atingido.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o prefeito à frente de um grupo de estudantes e gritando aos policiais "parados", momentos antes da confusão.
Bally Bagayoko (alcalde de izquierdas en Saint-Denis con la France Insoumise) Pone su cuerpo para que los antidisturbios no peguen a su pueblo. https://t.co/WHFBzaGvkW
— John bach rose (@johnsixx256) October 7, 2026
Em seguida, um outro vídeo flagra Byoko sendo abraçado e levado por populares.
https://t.co/RAw7ORibRV
— rico73 (@Rico73Rico7318) October 6, 2026
Os protestos estudantis na França começaram em setembro, na região de Paris, e rapidamente se espalharam por todo o país. Mas, o movimento escalou e se tornou violento em alguns momentos, com confrontos entre manifestantes e policiais.
Aproximadamente 6.100 pessoas foram presas desde o início dos protestos, sendo a maioria menores de idade. Além disso, mais de 1.800 estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores. Os números foram divulgados pelos ministérios do Interior e da Justiça da França.
Estudantes são feridos e uso de granadas de efeito moral é proibido
Na segunda-feira (5), um estudante de 15 anos teve a mão arrancada em Lens, no norte da França, após pegar uma granada de efeito moral da polícia que explodiu em seguida.
Após autoridades francesas confirmarem o caso, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão de uso de bombas de efeito moral nos protestos estudantis.
Outros casos ainda são analisados, como o de um outro estudante, de 14 anos, que perdeu vários dentes devido à explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo em Paris.
Em entrevista à rádio francesa RTL, o ministro explicou que a suspensão se aplica "apenas aos protestos do ensino médio" e "somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu".
Laurent Nuñez divulgou, ainda, que a polícia francesa abriu 18 investigações sobre denúncias de má conduta desde o início dos protestos.

Crise estudantil na França
Os protestos liderados por estudantes e servidores públicos contra cortes de gastos no orçamento do governo e as condições precárias nas escolas acontecem desde o dia 17 de setembro.
Entretanto, a mobilização ganhou força na última semana, transformando-se em protestos nacionais marcados, em alguns locais, por episódios de violência envolvendo adolescentes e forças de segurança, que, por vezes, utilizaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os jovens.
Essa terça-feira (6) foi o dia de maior mobilização até o momento. Organizadores da mobilização indicam que mais de 450 mil pessoas foram às ruas na data, enquanto o Ministério do Interior indica 250 mil estudantes.
Em discurso no Parlamento, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, condenou atos de vandalismo que vêm sendo praticados e disse que eles pioram ainda mais a situação das escolas.
"Incendiar uma escola secundária não melhora o estado dos edifícios escolares. Linchar um professor não ajuda a substituir professores", disse Lecornu.
Apesar das críticas aos protestos, o premiê da França ordenou que os ministros atendam às principais reivindicações dos estudantes e enviem propostas para as melhoria até o fim deste mês de outubro.
Entre as medidas estão:
- Reparo de prédios escolares antigos;
- Garantir a substituição de professores ausentes;
- Rever a duração do dia letivo (das 8h às 18h);
- Intervalos de almoço mais longos.
Os amplos protestos causaram uma crise política para o governo de Emmanuel Macron. A imprensa francesa afirmou que o presidente estaria "apavorado" com os protestos. Oficialmente, Macron reconhece que as reivindicações do movimento são legítimas, mas a violência, não.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



