Protestos na França: Greta Thunberg se junta a estudantes em novo dia de manifestações
Movimento estudantil entra na quarta semana e segue cobrando melhores condições de ensino, denunciando falta de professores, superlotação das salas de aula e deterioração das instalações

A ativista sueca Greta Thunberg participou, nesta terça-feira (13), de uma manifestação em frente a uma escola de ensino médio em Saint-Denis, cidade próxima a Paris, na França. O país europeu registrou mais um dia em que estudantes foram às ruas contra as más condições de ensino.
O movimento nacional está na quarta semana e é dedicado a denunciar a falta de professores, a superlotação das salas de aula e a deterioração das instalações escolares. Os protestos registraram passeatas, bloqueios de unidades de ensino e, em alguns casos, confrontos com a polícia.
Estudantes se reuniram na manhã desta terça-feira (13) em frente a escolas de Paris e de outras cidades, entoando palavras de ordem. Também estão previstas passeatas ao longo do dia.
Greta Thunberg afirmou que os estudantes franceses merecem mais apoio:
"Eles devem saber que, em todo o mundo, estamos acompanhando esses acontecimentos. Somos inspirados pelos jovens que estão reivindicando seus direitos básicos", declarou a ativista em frente ao Lycée Paul Eluard, em Saint-Denis, uma das escolas onde o movimento ganhou força desde o início da mobilização.
"Seja a falta de financiamento adequado para as escolas, a crise climática ou as crises de injustiça social, já passou da hora de os jovens se mobilizarem e retomarem o controle do próprio futuro", afirmou Thunberg.
A ativista também criticou a violência policial francesa nos protestos. Para Thunberg, a atuação das forças de segurança é um sinal "extremamente violento" de que as autoridades estariam protegendo o status quo e ignorando as reivindicações dos jovens.
- No dia 5 de outubro, um estudante de 15 anos teve a mão arrancada em Lens, no norte da França, após pegar uma granada de efeito moral da polícia que explodiu em seguida. Segundo o governador do estado de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, o jovem recebeu atendimento médico e não corre risco de vida.
- No dia 6 de outubro, o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia em meio a um protesto na cidade. Ele precisou ser carregado para receber colírio nos olhos depois de ser atingido.

Após o casos de violência, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito exclusivamente em manifestações estudantis.
Crise estudantil na França
Uma onda de protestos, liderada por estudantes do ensino médio e universitários, atinge a França desde o final de setembro de 2026, ganhando força com o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.
Os alunos protestam contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos).
O governo francês alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes, como a defesa.
Manifestações em cidades como Paris, Lyon, Nantes e Estrasburgo registraram choques entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. Centenas de feridos (incluindo policiais e jovens) e milhares de prisões foram reportados.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



