Protesto em Portugal: polícia desmonta acampamento pelo direito à moradia e prende manifestantes em Lisboa
Ocupação na Praça do Rossio foi inspirada por protestos contra a crise habitacional na Espanha, em que manifestantes se mobilizaram após idosa de 87 ter sido desejada de imóvel

Um acampamento dedicado à protestar a favor do direito à moradia na Praça do Rossio, em Lisboa, em Portugal, foi desmantelado pela polícía nesta terça-feira (20). Durante a ação, que teve confronto entre os manifestantes e agentes, 55 pessoas foram presas e mais de 200 tendas foram confiscadas.
Os manifestantes ocupavam o centro da capital portuguesa. Eles formaram uma corrente humana para tentar atrasar a intervenção policial. Os portas-vozes do protesto denunciaram que cerca de 30 pessoas ficaram feridas e informaram que 100 manifestantes decidiram seguir com a mobilização.
O governo de Portugal é acusado de não agir para enfrentar a crise de habitação e de querer facilitar os despejos de inquilinos por meio de uma reforma do mercado de aluguéis.
No mês de setembro, o Parlamento aprovou, em primeiro turno, uma reforma para acelerar os despejos de inquilinos em caso de inadimplência, como parte de uma flexibilização do mercado de locação.
Um acampamento no Porto também foi desmontado, devido às ameaças de uma intervenção policial.
Crise habitacional na Europa
A manifestação em Portugal é inspirada nos acampamentos pelo direito à moradia organizados na Espanha. A crise habitacional na Europa é marcada pela disparada de preços de aluguéis e imóveis que superam o crescimento dos salários da população.
Na Espanha, uma mobilização foi motivada após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, depois do imóvel ter sido comprado por um fundo de investimento, em Madri, em 23 de setembro.
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Imagens da idosa sendo levada de maca em meio a centenas de manifestantes e vizinhos revoltados circularam rapidamente nas redes sociais e na imprensa. Ela foi internada no Hospital Gregorio Marañón.
Com a pressão popular, a empresa proprietária aceitou fechar um novo acordo para que ela pudesse retornar ao apartamento. Entretanto, em 7 de outubro, duas semanas após o despejo, Maricarmen Abascal morreu no hospital.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



